sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

Semana passada, me apresentei em "O Jardim da Branca de Neve". Adivinha só qual era o meu personagem? A própria!!! Já estava fantasiada, derretendo dentro daquela roupa quente, enquanto eu e as crianças aguardávamos o espetáculo começar. Então uma coelhinha perguntou:

- Branca de Neve, cadê o seu Príncipe?

- Acabei de falar com ele!

- Cadê ele? (perguntou uma borboleta)

- Ele veio aqui, me deu um beijo apaixonado e voltou para o castelo porque está demorando muito para a apresentação começar.

- Qual é o nome dele? (perguntou uma formiga)

- O nome do meu Príncipe é Marcelo...

Nesse momento uma joaninha fez uma cara que misturava dúvida e ciúmes e perguntou:

- O meu pai???

É por isso que gosto de estar com elas. A sinceridade é crucial! Uma pena que quando elas crescem, essa inocência, essa honestidade de admitir o que gosta e o que não gosta, se perde... É gratificante ver nos olhos delas a fantasia se tornar realidade quando, mesmo sabendo quem eu realmente sou, elas se permitem desfrutar de um sonho de romances, belezas e esperança. Desde a época do vestibular eu já sabia que tinha que estar entre elas, mesmo que fosse dentista, pediatra, jornalista, atriz... Para 2011, desejo que a pureza no coração e o sonho nos olhos das crianças, possam refletir para o mundo inteiro a honestidade de assumir que a inveja existe, que o ciúmes nos tornam amargos e que a vaidade nos traz a fama superficial como uma doce ilusão que se esvai com o tempo.

(*) Gente, se pararmos para prestar atenção, às vezes, nós perdemos tempo com pessoas e coisas fúteis. Às vezes, ficamos até tarde no trabalho e não recebemos pela hora extra; Mas, o pior são as horas vagas em que não sabemos o que fazer e ficamos reclamando da vida... Eu costumava fazer adaptações de peças infantis, escrevia o texto, dirigia e atuava. Eram 3 meses de trabalho, em que eu sedia meu tempo para ir ensaiar, passava as tardes de domingo ensaiando e no dia da apresentação ganha R$ 200,00 por todo o trabalho realizado. Nesse ano fiz o mesmo trabalho, de graça, para alguém que realmente poderia ter pago por isso. Mas, eu fiz porque amo estar entre as crianças. Gosto das perguntas embaraçosas, gosto das risadas e dos carinhos sem interesse. Por tanto, em 2011, não vou me limitar aos lugares que podem alugar um teatro legal no shopping, nem aos amigos que me pedem favor, vou fazer algo de verdade! Vou realizar meus trabalhos artísticos em instituições carentes: orfanatos, hospitais, creches públicas. Sabe o por quê? Pelo simples fato de receber muito mais do que qualquer dinheiro pode pagar, estarei usando meu tempo para despertar sorrisos, e isso, é a deficiência mais séria no mundo, a falta de riso, a falta de caridade. Se antes eu trabalhava para quem podia me pagar bem e, em troca, eu recebia desdém, vou aproveitar as horas extras para receber toda a gratificação das crianças. Faça você o mesmo! Use o tempo "atoa" para fazer algo que valha realmente a pena. Feliz 2011 à todos!


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Cereja do Bolo

As últimas semanas do ano foram caóticas! Descobri que mentiram a meu respeito no trabalho, inventaram que zombei das diretoras e, por isso, não trabalho mais lá. Minha orientadora surtou e me humilhou na frente de outros alunos, me acusando de plágio sem, sequer, me mostrar minha monografia. Ela alegou estar cansada de ler meu trabalho, pois eu a fiz ler este 5 vezes... Descobri que a faculdade cobra uma taxa significativa para alunos que estão fazendo apenas a monografia. Nada além de R$ 885,00 (não pode parcelar em 6x, norma da instituição). Pode parecer frescura da minha parte, mas a pressão psicológica foi ao auge nesse último mês.

Mas, durante tantos momentos de desespero, pude contar com o apoio da minha família e de amigos. Pessoas incríveis que me fizeram ver que eu sou a cereja do bolo, que eu faço a diferença, a boa diferença, na vida de cada um deles e o quão capaz eu sou de ser uma ótima profissional e idealista. Prometo que contarei a história da "demissão" e do "surto da orientadora", mas, por hora, escrevo meus agradecimentos àqueles que me fizeram entender que não preciso mudar minhas qualidades, e sim que preciso fazer minha parte sendo ética e responsável, independente do que os incomodados vão dizer.

Aos leitores deste blog também deixo registrado meu agradecimento, apoio e comentários. Se não fosse vocês, este blog não teria passado de 1000 visitantes em tão pouco tempo! Obrigada!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tinta Fresca

Estava no ponto de ônibus, por volta das 18 horas, chovia e muitas poças d'água estavam se formando no recuo onde os ônibus encostam para pegar ou deixar os passageiros. Reparei numa mulata há uns 15m de distancia do ponto, sob uma marquise, conversando com mais duas mulheres. A chuva estiou e ela aproveitou a chance para ir ao ponto de ônibus. Reparei que ela usava uma sandália plataforma, tipo chinelo e andava um pouco torta. Cheguei a pensar que ela tivesse alguma deficiência, então parei de olhar, com receio que ela realmente fosse deficiente física e se incomodasse.

Ela passou por mim e sumiu do meu campo de visão, achei que tivesse ido embora. A chuva voltou a cair mais forte e os ônibus passavam rente ao ponto e inundavam a calçada - Motorista de ônibus é tudo uma cambada filhos da puta! É impressionante como eles sentem tesão em passar nas poças e molhar as pessoas em dia de chuva - Então resolvi dar um passo atrás para fugir do banho de água suja, nesse momento senti alguém me empurrar bruscamente pelas costas e ouvi:

-Ai! Você vai borrar minha unha que acabei de fazer!

Olhei para trás e reconheci a mulata. Ela estava parada atrás de mim e quando me virei ela já estava indo em direção ao ônibus. Desviei o olhar do rosto dela e mirei seus pés... Gosto é algo muito particular. Voltei a olhar para o rosto dela, sentia um vazio imenso em relação àquele pé feio pintado de marrom-alguma-coisa-desbotado, mas ela sustentava um ódio sincero em seus olhos...

Alguém pode me explicar? Porque até agora eu não entendi a reação dela... Será que eu devo andar na rua atenta se alguma mulher fez as unhas do pé? Será que ela pensou que eu ía pisar de propósito? Já que era tão importante, ela poderia ter ficado mais tempo no salão esperando o esmalte secar. Mas, se não quer esperar, ela pode andar com uma camisa dizendo: "CUIDADO, TINTA FRESCA!"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Memórias de uma estagiária

Eu fiz estágio de jornalismo na Fiocruz, há um ano. Ficava no setor de informática da Unidade de Administração do Campi Manguinhos. Era a única estagiária de jornalismo, mas tinham estagiários de informática e administração.

Certo dia, eu estava fazendo meus trabalhos de rotina, quando o estagiário de informática entrou na sala e perguntou:

- Como se escreve "patuí"?

Contestei: - Não seria, patuá?

Ele insistiu: - Não. Quero saber como se escreve "patuí".

Peguei o dicionário e comecei a procurar a palavra, mas nada consegui...

- Tem certeza que é assim que se diz, "patuí"? Como você colocaria esta palavra numa frase?

- Patuí lá!

Todos que estavam na sala começaram a rir. Eu fiquei horrorizada com o assassinato da língua portuguesa e respondi:

- "Patuí", se escreve: Para você ir...

Gente, não precisa saber quais são os verbos intransitivos, nem identificar os advérbios na hora de construir uma oração, mas, pelo amor de Deus, falem o português claro, limpo. Não precisa sair por aí declamando Shakespeare, mas também não tem necessidade de cometer a idiotice de não saber como se escreve uma frase, porque achou que tudo era uma palavra só!



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Inutilidade Privada

Hoje fui à faculdade entregar um relatório de estágio que vem me trazendo problemas há quase 2 anos... Tudo começou em junho 2009, quando, no início do ano letivo, me inscrevi na pratica profissional I. Peguei um relatório e levei para o estágio, meu supervisor preencheu, assinou e carimbou. Entreguei o relatório para a secretária da coordenação do curso esó. Ela não me deu nenhum papel para assinar, só disse "ok".

Quando o segundo semestre de 2009 começou, notei que faltava a nota desta disciplina em meu histórico. Voltei à coordenação e perguntei o que houve. A Secretária me disse:

- Tem certeza que você entregou? Você assinou a lista?

Eu: - Que lista? Você não me deu nada para assinar!

Ela: - Então eu não sei... Você vai ter que pegar outro e refazer.

Eu peguei 3 relatórios para preencher e eliminar pratica profissional I, II e III, já que pratica profissional I era referente ao segundo semestre de 2008 e os outros 2 a cada semestre de 2009. Levei os relatórios, entreguei ao meu supervisor que preencheu, assinou e carimbou os 3! Fiquei doente no fim do ano passado e não pude ir pessoalmente, então pedi para meus pais entregarem.
Foram entregues os 3, mas no sistema da faculdade só entraram 2 notas, pois eu não estava inscrita em pratica profissional I... Voltei na faculdade.

- Suelana, eu entreguei meus relatórios de estágio, mas ainda falta uma nota.

- Você assinou a pauta?

- Minha mãe assinou.

- Mas você estava inscrita?

Expliquei tudo para a mula que acha que é gente, inclusive que ela havia perdido meu primeiro relatório. Ela fuçou as pastas e encontrou o tal documento entre outros papeis incoerentes ao assunto.

- E agora?

-Ah, você vai ter que se inscrever em prática profissional I de novo e me entregar o relatório...

Assim o fiz. Novamente me inscrevi e hoje, depois de esperar mais seis meses, levei o relatório para ela me dar a nota...

- Você tem que me entregar o relatório.

- Está aqui.

- Não é esse.

- Como assim?

Ela pegou uma folha A4 com um modelo de relatório digitado que eu teria que confeccionar. E me olhou com ar de superioridade...

- O que é isso?

- Isso é o relatório que você tem que fazer.

- Suelana, você havia me dito que era para eu retornar e entregar somente este papel. Ninguém me disse que eu tinha que fazer um relatório escrito. Até porque quando eu entreguei os outros dois, isso não foi cobrado.

- Mas, eu não posso aceitar. Fala com o coordenador, cada caso é um caso.

- Suelana, eu não posso fazer hoje, eu relatório de um estágio que eu fiz há um ano!!! Você quer que eu minta?

-Eu não sei o que você vai fazer, mas tem que me entregar esse modelo.

A minha vontade foi de puxar ela pelos cabelos e dar com a cara dela na mesa até o óculos quebrar! Como não pegaria bem para mim, eu fui agressiva com palavras. TODA a parte administrativa dessa faculdade é um grande bosta! A Secretaria Geral não quis me dar uma licença, pois foi considerado que o período de quarentena era muito pouco para abrir um pedido; a Suelana fica de figuração atrás daquela mesa e nunca sabe das coisas; a rede de informática é cheia de vírus, pois numa universidade me que pagamos mais de R$800,00 por mês, eles usam antivírus grátis!!! Quase perdi minha monografia por causa disso... Isso é o que podemos chamar de Inutilidade Privada. 

sábado, 27 de novembro de 2010

Coletivismo

O Rio de Janeiro vive um caos desde quarta-feira, mas as coisas se agravaram na quinta-feira, quando a polícia resolveu tomar o morro do Alemão. Muitos acompanharam a operação pelos noticiários que fizeram plantão. Muitas pessoas consideraram que o momento que vivemos é "palhaçada", é "sensacionalismo" e resolveram passear no Norteshopping para aproveitarem o "Ponto Mix".
O shopping estava todo enfeitado com bolas, os vendedores estavam simpáticos como sempre, muitas pessoas estavam adiantando suas compras de natal - tanto os presentes, quanto o menu para a ceia - Estavam todos felizes e se sentindo super-protegidos...
De repente, vários disparos: POW! POW!POW!
Muitos correram em direção ao Supermercado dentro do shopping. Numa esteria infernal! E alguém gritou:
- Deita no chão!!!
Nem deu tempo de escolher um lugar estratégico para deitar. Muitas pessoas se jogaram sobre as outras... Algumas mulheres choravam e os homens xingavam "Caralho, que porra é essa!"
Então o alto falante toca: "tan-tan" Prezados clientes, informamos que o motivo do pânico foi devido aos balões que estão enfeitando o shopping para a promoção "Ponto Mix". Desculpem o transtorno.
Um silêncio imenso se propagou por dois segundos... Muitos riram, outros xingaram, outros respiraram aliviados, alguns fizeram comentários sobre o ocorrido, mas não pude evitar de imaginar meu pai lá. Certamente ele diria:
- Agora que estou todo borrado é que vocês falam!

Uma péssima mania do Carioca é pagar para ver. É bem verdade que muitos boatos surgem para impressionar, mas a cidade estava, literalmente, pegando fogo e, mesmo assim, os valentões foram para o shopping para provar que não vai acontecer nada. De fato não aconteceu algo ruim, poderia ter sido tiro de verdade. Mas, uma coisa eu garanto, até na hora de pagar mico o Carioca é acolhedor... Que fique registrado o mico coletivo do ano!!!


Essa história aconteceu com a Gabriela Fontinelli. Quer ter uma história sua publicada aqui? Envie para o e-mail do "Participe"! Mas, vale lembrar que a história tem que ser verdadeira.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando lhe cortam as asas

O que foi isso?
Vocês viram?
Acabou de se apagar
A luzinha de esperança que restava no meu coração...
Como é amargo o sabor da traição.
Como dói a senssação de vazio da desilusão.

Eu sonhava em ser um passarinho
Voar na minha imaginação
Sentia a brisa de cada inspiração
E me deixava abraçar pelos risos das crianças, tal qual um ninho.
Ah, como é pesado ficar sozinho!
Estou tão tristinho
Sem amigos, sem luz e sem ninho...

Nesta manhã, a luz da alvorada não chegou para aquecer
E tudo que fica do outro lado da gaiola
Parece não se importar
Ou pior, nem me ver.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cadê?

Estava saindo do Norteshopping nesta segunda-feira, indo pagar o estacionamento quando percebi um rapaz bem vestido alterar a voz com a atendente do guichê. O monstrinho da curiosidade aguçou meus olhos e ouvidos...

- Tem que pagar o quê?!

- O senhor terá de pagar uma multa de R$20,00 pela perda do ticket.

- Você é que tem que liberar minha saída!

- Não, senhor, em caso de perda o dono do veículo paga uma multa.

- Libera minha saída agora!

- O senhor tem que pagar R$20,00...

- Não vou pagar porra nenhuma! Libera essa merda agora! (ele bateu no balcão)

- Não vou liberar. ( ela fechou o caixa)

As duas acompanhantes do rapaz ficaram atonitas com a reação extremamente agressiva dele.

- Nossa, Ricardo, você está muito alterado. Nem deu para ouvir a menina explicar...

- Isso é uma palhaçada! Vou ligar pro meu amigo PM.

Nesse momento, li o verso do meu ticket de estacionamento e lá estava: "Em caso de perda, o cliente deverá pagar multa". Alguns minutos depois, um senhor chegou, não sei dizer se era um fiscal ou um segurança, pois ele falava baixo e distante da fila, o rapaz desligou o celular. Mas o motorista continuava alterado, entre uma fala baixa e outra entre as meninas e o "fiscal", ouvia-se:

- Isso é uma palhaçada! Não pago essa merda!

O "fiscal" perdeu a paciência e disse, sem gritar, mas alto o suficiente para ouvir de onde eu estava:

- Então seu carro permanecerá no estacionamento. O senhor vai para casa de ônibus ou de taxi, hoje.

Conversaram mais um pouco e, por fim, o figura aceitou em pagar...

Por quê fez o show? Porquê pensou que como a atendente era mulher ele conseguiria inibí-la ou amedrontá-la? A melhor parte, foi pegar o celular e ligar para o amigo PM... Que ridículo! Então quer dizer que o "amigo" ia aparecer numa viatura lá no estacionamento do Norteshopping e botar uma arma na cabeça da atendente para que ela liberasse a saída dele, porque caso ela não o fizesse ela ía presa... Engraçado... Acho que não tinha essa cena em "Tropa de Elite 2". Foi só aparecer um homem, que o escandaloso, desligou o celular e, mesmo que resistindo, pagou... Artista burro! Pagou para fazer o show... Rá!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Fantoche de Fetiche

Ora, vejam só!
Que riso é esse que se faz emoldurar no espelho
Se ninguém ouviu uma história engraçada?
Recordo-me vagamente de sonhar com contos de fadas...
Mas que ironia
Na tolice da ingenuidade sonhava em ser gente de noite
E acabei por despertar boneca de dia...
Mas se fosse capaz de viver essa fantasia
O que ela seria?
Sonho ou fetiche...
Talvez uma breve ilusão da minha meninice.
Ah, que crueldade sonhar com felicidade
Nesse mundo de fantoches!
Crueldade acreditar em seguir os próprios sonhos.
Pior ainda não poder sonhá-los,
Pois que sempre há alguém a nos mover
Com falas decoradas e historinhas que se repetem.
E se o fantoche do fetiche fantasiasse os sonhos lúdicos de um boneco de madeira?
Quão grande seria a mentira???
Talvez nem mentira fosse...
Mas quem acreditaria?
Somente o boneco que ficaria conhecido como "cara-de-pau"
E numa ciranda da vida
Chegaria o momento que nem  para as crianças o boneco serviria.
Seria, então, um abandonado utensílio de madeira condenado pela preservação ambiental.
Até que passar umas férias na barriga de uma baleia
Começa a ser um plano nada mau...
Minha consciência sempre faz uso da razão
Mas meu endurecido coração
Já não aguenta mais tanta solidão.
Com quem partilhar meus sonhos de ser de verdade?
Minha fada madrinha anda ocupada em responder muitos e-mails
E me me deixou aqui cheia de grilos na cabeça.
Não quero mais falar o que querem que eu diga
Tampouco fazer o que querem que eu faça.
Não quero mais ser manipulada
Sequer que riam de mim quando fizer algo a mando de outros.
Quero ser de verdade!
Sentir o vento
Fazer amigos
Sentir o gosto da água
Não temer os cupins
Amar...
Ah, amar seria bom!
Sentir um tambor desesperado dentro do peito e borboletas no estômago...
Quero ser de verdade!
E nunca mais mentir
Nem mesmo alegar que sou o que querem que eu seja.
Quero ser eu de verdade
Até porque, quando eu for de verdade,
A mentira não ficará mais estampada  na minha cara
Pois toda verdade contraria a mentira...


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Te amo" não é "Bom dia"

É bem verdade que as pessoas se acomodam em dizer "Te amo" com o passar do tempo, mas também é verdade que isso independe da quantidade de vezes que foi dito. É algo mais interno, mais profundo que define exatamente o que estamos sentindo. Cabe a cada um observar se, toda vez que diz "te amo", está sendo sincero consigo mesmo, se o sentimento cresceu ou diminuiu. Concordo que um não pode substituir o outro. Dizer que ama querendo dizer "bom dia" não engana ninguém, talvez temporariamente...


A questão não é ouvir por ouvir, nem falar por falar, a questão é deixar o outro saber o que você sente. Mas, se o "amor" que você sente pelo outro se tornou "bom dia", talvez esteja na hora de reconquistar ou, simplesmente, ir embora. Você já se perguntou por quê o outro diz frequentemente que te ama? Ou você simplesmente concluiu que para ele (a) já virou rotina? E se ele (a) diz que te ama na esperança de ouvir o mesmo de você? Eu sei que, talvez, seja difícil assumir que ama alguém, cada um tem seus próprios princípios. Mas, e se o outro parasse de dizer com tanta frequência, ou resolvesse que é melhor não falar mais? Você sentiria falta, não é?

Elogios também não substituem declarações. Você pode achar alguém bonito, e nem por isso nutrir bons sentimentos, quiçá ama-lo. Trata-lo (a) por um apelido íntimo e carinhoso, não é o mesmo que dizer "Te amo", é reconhecer na pessoa o sentimento, mas não é expor para ele (a) como isso arde dentro de você. Não é preciso apenas dizer "Eu Te Amo", diga como sente esse amor dentro de você, como isso te conforta e te deixa em paz. Mas, faça sem esperar que o outro te pergunte.
Não precisa repetir o tempo todo, nem ficar de joelhos. Fale como um segredo, bem baixinho ao pé-do-ouvido. Fale sempre que sentir vontade, mesmo que ontem você já tenha dito. Eu concordo que "te amo" não pode ser "bom dia", mas não ouvir "Bom dia! Sabia que eu te amo" todos os dias traz insegurança e as vezes é até comum se sentir esquecido...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tudo é uma questão de Educação

Meu pai é um sujeito extremamente popular, embora não seja famoso. E já virou uma situação comum estarmos no shopping, no mercado ou atravessando a rua quando uma pessoa o aborda com saudações e dizem estar feliz em revê-lo.
Meus pais foram ao Alto da Boa Vista neste sábado. Enquanto subiam, um senhor passou de carro e os olhou (mas era só um motorista)... Resolveram almoçar quando, de repente, o cara do carro os abordou acompanhado de sua esposa:

-Rapaz, quanto tempo! Você tá sumido! Como vai?

Meu pai: - Vou bem! E Você?

- Poxa, que legal te reencontrar. Querida, esse é aquele sujeito que te falei, que trabalhou lá comigo. E essa é a esposa dele. Como vai?

Minha mãe: - Vou bem também. Essa é a sua esposa?

- É! Que legal te ver por aqui. Faz muito tempo.

Meu pai: - Pois é, Bicho, acontece.

- Poxa, adorei rever vocês! Bom almoço aí! Tchau.

O casal deu meia-volta e foi embora.

Minha mãe: - Waldney, quem é esse cara?

- Eu sei lá!

Há uns seis ou sete anos atrás, estávamos meus pais, irmão e eu na Lagoa, curtindo um fim de semana de sol, quando um policial se aproximou e abraçou meu pai:

- Pô, cara, como você tá? Tu anda sumido...

Meu pai: - Ih, sumido tá você!

- Hahaha! Sempre brincalhão. Sua esposa? Seus filhos?

- É...

- Tudo bem? (cumprimentou todos nós) Pô, maneiro te ver. Vou nessa, agora. Valeu, hein!

- Vê se não some mais, hein, malandro!

Minha mãe: - De onde tu conhece esse cara, Waldney?

- Eu sei lá!

Essas histórias são as que mais me motivam a saudar alguém no elevador. Um sorridente "Bom dia" pode mudar o humor de alguém que esteja deprimido, ou sonolento. Já perceberam como o riso é contagioso? Não custa nada cumprimentar as pessoas que farão parte do seu dia-a-dia, ou aquelas que veem em você um amigo que há muito não encontra. É tudo uma questão de educação.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Arnaldo Três Reais

Centro da cidade, sexta-feira, 23 horas. Estacionamos em frente ao Hemorio, estavamos Marcelo e eu acompanhados Camila e Rodrigo indo à Gafieira Elite numa festa de uns amigos deles. Eis que de repente surge Arnaldo, um guardador da área. Bebado, falando alto, e cobrando três Reais.

- Fala, doutor! É três Reias!

Rodrigo respondeu: - Na volta eu te pago.

- O senhor não pode ficar aqui não, o carro não pode ficar assim não!

- Você quer que eu tire o carro?

- Isso é o senhor que está dizendo. O que eu quero é que o senhor ajeite o carro, coloca ele atravessado que aí cabe mais, entendeu?

Rodrigo voltou para o carro e o estacionou da maneira que Arnaldo pediu. Enquanto isso, um manobrista estacionou ao lado do carro e ficou com a porta do motorista a 15 centímetros da porta do carona do carro ao lado.

- Aí, manobrista, quebra essa? Refaz aí! Eu sou Arnaldo, sou conhecido aqui.

- Pede para o garoto acertar...

Rodrigo estava com metade do corpo para fora do carro quando voltou a sentar. Ele acertou o jogo com tanto esmero que me remeteu Da Vince pincelando a Monalisa. Quanta perfeição... O manobrista saiu do carro e foi embora. Arnaldo continuou a cobrar Rodrigo.

- Aí, chefe, libera três Reais aí!

- Não posso te pagar na volta não?

- Tu tá achando que vou embora? Tu vai na Elite? Pode chegar lá e perguntar quem é Arnaldo. Sou conhecido lá, de confiança.

Rodrigo pagou os três Reais e, então seguimos até a gafieira. Quando a festa já tinha dado o que tinha que dar, resolvemos voltar para casa. Ao atravesarmos a rua adivinha quem apareceu? O Arnaldo!

- "Num" falei que ia ficar aqui a noite toda! Tu ficou falando que eu ia embora. Embora nada, Rapá.

Marcelo: - Valeu, Ronaldo, você fez um bom trabalho.

- Ronaldo, não! Tá de sacanagem comigo?

Rodrigo: - Roberto?

- Pô, Doutor...

Eu: - Arnaldo?

- Ah ê!

Nesse momento aparece uma mulher descabelada aos berros.

- Quero ver tu me pagar, hein, Arnaldo!

- Vou te pagar, pô! Deixa eu pegar o dinheiro aqui!... Aí, Doutor, é VINTE Reais...

Todos nós: - O quê!!!

- Fiquei aqui a noite toda, é vinte Reais.

Camila: - Deixa a gente tirar o carro primeiro. Ajuda a gente a sair com o carro e a gente te paga.

Entramos no carro, trancamos as portas e, por fim, Rodrigo disse:

- Deixa o Arnaldo correr um pouquinho...

Marcelo ligou o carro e fomos embora.

Vagabundo é tudo igual ele te pede um dedo, você dá, aí nesse instante ele percebe que você teria condições de dar a mão, sabe-se lá como, em quatro horas ele se individa com as negas dele, se acha o esperto e te pede o braço inteiro... Qualquer dia o Centro da Cidade vai começar a oferecer curso de malandro. "Como se aproveitá do Criente"


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Paisagem da janela

O vento entra pelas frestas da janela
Soa como um uivo longo e doloroso,
E quando se mistura com os sons que vem lá de fora
Parece gritos de desespero.
"Mas, é só o vento" (tento me convencer).
A janela emoldura a cena:
Enquanto o céu permanece azul e sereno,
As árvores se debatem e se dobram tentando não quebrar.
E o céu observa, mas não parece se importar.
Então percebi quem gritava...
Numa aula de ciências a professora falou
Que as árvores crescem na direção do sol...
Agora entendi porquê levam alguns anos.
É difícil crescer intacto
Quando o vento açoita com força
E arranca as folhas tão queridas, tão significativas.
Mesmo assim é interessante
Porque elas sempre, de alguma forma
Tentam se manter o mais próximo possivel do céu.

domingo, 26 de setembro de 2010

Isso estava no Script?

André parou para abastecer o táxi num posto na esquina da Rua Paulo Silva Araújo com a Rua Adriano, por volta de 20:25hs. Um rapaz moreno e alto fez sinal logo depois que André entrou no carro. Se aproximou da janela e perguntou se ele o levaria para São Cristóvão. Com a confirmação, o rapaz entrou... Alguns metros à frente, quando se sentiu mais à vontade, o passageiro tirou a pistola da cintura e disse:

- Tava doido pra sair daqui, Cara. Eu acabei de roubar uma moto, mas aquela merda disparou o alarme, Maluco. Aquela parada de car sistem. Fiquei nervosão, num sabia o que fazer, vazei de lá.

- Pô, eu estou levando você numa boa, você não vai me assaltar não, né?

- Fica na paz aí, Chefe, que eu não assalto trabalhador não. Mas, vô te mandá a real, se eu vê um carro de policia vô mandá bala pra todo lado, tá ligado?

- Pô, fica calmo, não faz isso não, ninguém vai desconfiar de você. Fica na boa.

André respirou fundo e tentou se manter calmo e sereno. Quando chegaram na Marechal Rondon, o assaltante reiniciou a conversa:

- Aí, tu tá com celular aí? Preciso fazê uma ligação, tu me empresta rapidinho?

André nada respondeu. Tirou o celular do bolso e passou para o passageiro.

- Fala aí, Doido! Como tá o movimento no morro? Vai dá pra entrá pela frente? Porra, Cara! Valeu então, vou entrar pelo outro lado!

Desligou a ligação e devolveu o aparelho para o taxista. Já estavam entrando no Morro da  Mangueira quando o assaltante voltou a falar:

- Aí, meu filho tá com pobrema de saúde, tu tem 50 Reais aí? Comecei meu turno agora e, te falei, né, num consegui nada.

Encostou a pistola no braço do taxista como quem dá um tapinha no ombro do amigo e continuou.

- Mas, tu tem , né não? Eu sei que vocês ganha diária.

André deu o dinheiro.

- Pô, vô precisá do celular, Cara. Me empresta aí de novo.

André emprestou o celular novamente. Mais adiante, ele parou o táxi num ponto de ônibus para o passageiro descer do carro.

- Aí, tu liga pro teu celular, umas onze e meia, meia-noite que é pra nós combiná onde que eu te entrego de volta o celular e o dinheiro, valeu?

O assaltante saltou do carro e foi embora... De volta ao asfalto, André encontrou uma viatura da polícia e encostou. Contou toda a história para os policiais e eles responderam:

- Se eu fosse o senhor, eu subia o morro e falava para o dono que esse cara fez essa merda.

- Mas, eu estou te contando o que aconteceu. O senhor não pode me ajudar?

- Meu amigo, o que você quer que eu faça?! Lamento muito, mas eu não posso fazer nada por você...

Para não acabar a noite pior do que começou, André voltou para o táxi e foi embora.

Espera aí! Vocês entenderam o mesmo que eu? O assaltante pegou emprestado e garantiu que devolveria o celular e o dinheiro. Já os policiais (que são pagos para prender bandido) não puderam ajudar...
Acho que eu entendi! Como foi um empréstimo, não tinha mesmo o porquê dos policiais se meterem... É, faz sentido. Afinal, foi um acordo entre conhecidos, hoje em dia se faz amizade muito fácil e muito rápido. Vai ver o André até trocou msn e Orkut com o cara, se é que o assaltante não tem twetter!
Gente, pelo amor a si próprio, isso está na hora de acabar! O que você vai fazer por você, por sua família, cidade e país? A eleiçoes estão chegando...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Em clima de Primavera

O abacaxi é uma bromélia...
E a gente come!
Tão amarelinho,
Tão docinho...
Quem diria?
E não tem gosto de terra.
Ah, essas bromélias...
E hão de dizer
Que planta não se come
Nem flor!
Mal se sabe que o caju
É uma flor modificada.
Fiquei sabendo...
Graças à ciência avançada.
Quem diria
Que como planta e flor
Na salada?!

domingo, 19 de setembro de 2010

Que cor é essa?

Fui ao estofador com a minha mãe para ela escolher o tecido para as cadeiras da mesa de jantar. Estávamos nos divertindo com tanta variedade, até que uma mulher entra na loja e começa a discutir com o vendedor.

- Olha só, eu estive aqui na semana passada e encomendei almofadas marrom, mas me entregaram nessa cor.

Ela tirou as almofadas de dentro da sacola e a cor era marrom café. Eu pensei: vai ver não era essa tonalidade que ela queria, talvez ela procurasse um marrom chocolate... Com muita calma o estofador respondeu.
- Desculpe a falha. Com quem a senhora falou?

- Com um menino que trabalha aqui. E eu ainda deixei um pedaço do tecido que escolhi com ele!

- Tudo bem, eu concerto o erro. Inclusive, eu posso até fazer um desconto para a senhora. Nesse cesto tem sobras de tecido que geralmente vão para o lixo, eu posso refazer o estofamento das almofadas pela metade do preço.

- Eu não quero nada disso! Eu quero que as almofadas fiquem na cor que eu escolhi!

- Tudo bem, então. Enquanto eu atendo essa moça, a senhora pode ir para o balcão de tecidos e trazer o marrom que escolheu semana passada.

Passaram-se, mais ou menos, 15 minutos e ela voltou.

-Aqui! É esse o tecido que eu escolhi!

O estofador olhou para o tecido, olhou para as almofadas e constatou o mesmo que eu. Suas orelhas ficaram púrpuras, quando ele se esforçou para perguntar:

- A senhora quer me dizer que cor é essa?

- Marrom! O mesmo que eu escolhi na semana passada!

- E também o mesmo marrom (café) que eu estofei as almofadas!

- Ah, mas não é mesmo!

Eu sei que não devia, mas foi impossível não rir. Era uma situação ridícula! E aquela mulher parecia estar com tanta sede de briga, que não quis sequer admitir que ela estava enganada... Era só se desculpar e rir daquilo tudo. Mas, ela fez cara de zangada, guardou as almofadas na sacola e foi embora jurando que nunca mais voltaria lá.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Na hora do "Adeus"

Há alguns anos eu tive uma conversa muito poética com meu tio avô Walter Menezes. Nós estávamos na varanda da casa dele, em Valença - RJ, e aquele dia era muito importante para ele, pois tinha acabado de publicar um livro de poesia e ingressara na Academia de Letras de Valença. E, como a família é muito grande e espalhada, poucos foram prestigiá-lo, isso despertou nele a frase que nunca esquecerei: "A família é como um sistema solar. Tem os planetas mais quentes, que são os mais próximos do sol, e os planetas mais frios, que são os mais distantes"... Essas palavras soaram como filosofia de vida para mim.

E eu passei a entendê-la alguns anos mais tarde, quando a outra parte da minha família se tornou um sistema solar frio após o falecimento da minha avó, há treze anos. Os planetas estavam causando atritos entre si devido a diferença significativa de gravidade e atmosfera e com esse afastamento eles jamais se alinharam novamente, sempre tinha um ou outro que se mantinha fora de eixo. Há, mais ou menos, três anos o Sol foi perdendo energia, adoeceu e começou a esfriar, mas somente dois planetas ficaram mais próximos para zelar e, depois de muitas queimaduras, devido à aproximação, apenas um ficou até o fim, fazendo o possível para aquecer o Sol e, nas poucas vezes que pediu ajuda aos outros planetas, foi difícil lidar com a mágoa e rancor de seis atmosferas distintas.

Há dois dias meu avô está internado, pois aos 88 anos, depois de enfrentar as reações de suas escolhas, ele teve enfisema pulmonar e adquiriu pneumonia nos dois pulmões. E, só assim, os planetas se aproximaram, para lamentar. Tantas oportunidades desperdiçadas, tantas festas e comemorações individuais, tantas brigas e rancor guardados e que na hora do Adeus é "esquecida".
Irônico o ser humano que só sabe lamentar e que não sabe respeitar as diferenças, tampouco conviver com elas. Irônico o ser humano que inveja a felicidade do outro, ou que se sente infeliz com a felicidade do próximo. Irônico observar todo esse movimento de resgate num momento em que a perda é irreversível. E sabe o que é pior? Tentar encontrar um culpado para uma situação natural da vida, a hora de morrer de velhice. A, tão difícil, hora do "Adeus".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais um dia

Perdido num deserto de horas agudas,
a cavalgar num camelo sedento só vejo miragens ao vento
que sopra quente e árido castigando a mente com maus pensamentos.
Na poeira de areia as dúvidas se acumulam em dunas
e a viagem prossegue sem linha no horizonte,
de tantos montes.
No lombo do camelo tem leite, mel e centeio,
mas não me lembro como tirar proveito,
então continuo em meio.
Lento.
Fraco.
Farto.
Às cegas sob esse sol que não se deixa abater
açoitando com fortes ondas de calor
o corpo escondido com grosso tecido.
Interessante caminhar sem a certeza de ir na direção certa.
E se o sol daqui não nasceu do leste?
Vou seguindo, mais um dia
O camelo e eu...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Se não sabe, vai por associação

Estava admirando o jardim da Fiocruz, quando um moço se aproximou e sentou no banco ao lado. Ele usava um macacão azul parecido com esses que os faxineiros de hospital usam e tinha um papel em mãos. Passados uns cinco minutos ele diz:
- Bom dia, você sabe o que é estanqueidade?

- Lamento, não sei.

Ele continuou lendo como quem quisesse decorar um texto, fazia caras e bocas e sempre parava quando chegava na palavra "estanqueidade". Então perguntei:

- O senhor não consegue arranjar um dicionário na recepção da sua unidade?

- Agora?!

- É, agora.

- Não vai dar tempo. Tenho que chegar na unidade "Tal" às 15 horas, já são 14:30...

- Ok. Qual é o assunto do texto que o senhor está lendo?

- É que eu sou técnico hidráulico e tenho que checar os tanques dessa unidade, mas tenho que explicar o porquê estou indo...

Confesso que eu não estava muito disposta a pensar naquele momento, então o deixei quieto. Uns minutos depois ele disse:

- Aha! Matei a charada!

Eu olhei meio assustada com o grito eufórico.

- Estanque = tanque, é sobre os tanques que eu vou falar. Idade = ele quer saber qual a idade dos tanques. É isso! Eles querem saber se já está na hora de trocar, se está muito velho, se precisa de reparo... Pronto!

Levantou e foi embora...


Segundo o dicionário Aurélio, estanqueidade é uma derivação do verbo estancar, que significa impedir o corrimento de (liquido); Por fim a; Deixar de correr; Não continuar, parar. Estanque significa isolado, logo, Estanqueidade, ou Esatanquidade é relativo ao tempo que aquilo levará para estancar um vazamento.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Vai 2Kg de batata?

Cascadura, 11:30 da manhã de uma segunda-feira qualquer. Irene não se sentia muito disposta naquele dia, mas os deveres do lar são sempre importantes, então ela lavou o rosto, pegou a pequena bolsa com o dinheiro contado e seus documentos e saiu.
Chegou ao supermercado sem perceber, pois, segundo ela, suas pernas estavam no "piloto automático", fez as compras para o almoço daquele dia, entre as mercadorias estavam dois quilos de batata. Levou o carrinho de compras ao caixa e, depois de ensaca-las, pagou.
Ao sair do local, observou um rapaz analisando suas compras, mas fingiu não ver e continuou andando, ignorando sua intuição. Eis que 100 metros à frente o rapaz fez uma abordagem...

- Passa a bolsa!

Irene parou, olhou lentamente para o rapaz, se sentia incapaz de raciocinar.

- Você quer a bolsa?

POW!!!!

As pessoas pararam o que faziam, uns riam, outros diziam "bem feito". Até que um guarda se aproximou.

- O que aconteceu?

Irene levantou os braços.

-Se quiser me levar, tudo bem.

- Calma, minha senhora, só quero saber o que houve.

-Esse rapaz quis me assaltar, pediu a bolsa, então eu dei.

-Não entendi, a senhora deu a bolsa e ele desmaiou?

- Dei a bolsa de dois quilos de batata na cara dele!

O guarda algemou o rapaz semi-consciente no chão e o levou. Irene continuou seu caminho sem saber distinguir o que era verdade e o que era imaginação.
Os cascadurenses nunca tiveram tanto entretenimento assim!
Esse fato me fez lembrar outro que vi num noticiário. Um senhor estava num ônibus falando sobre a época em que serviu na guerra e que havia matado negros. Um cidadão negro que ouvia a história se ofendeu e pediu para o "velho" descer do ônibus. Para não discutir aquele senhor foi para o banco da frente, mas o cidadão continuou insultando. Então ele disse: "você está procurando encrenca, vai acabar machucado". O cara levantou, foi até o "velho" e deu um tapa em seu rosto. Para quê? O "velho" e também ex-boxeador arrematou ele na porrada.





Como diz o ditado: "Não mexe com o que está quieto"

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Lei de Murphy

Fui ao supermercado esta manhã comprar dois litros de água mineral e percebi que estava bem movimentado, então tratei logo de buscar o que precisava para não enfrentar grandes filas, mas não fui bem sucedida como pensei que seria - ainda.
Entrei na fila de caixas que atendem clientes com até 15 unidades e, como sempre, nessa fila tem muito idoso - como se não bastassem as filas preferenciais, eles também querem dominar o mundo - e eu acho que a mulher que operava o caixa entrou no ritmo de tal maneira que por alguns segundos ela esquecia em que conta estava... sério!
Depois de longos 27minutos, chegou a minha vez. Atenta com o valor das compras, percebi alguém se aproximar e separar os sacos plásticos, mas não olhei. Separei o dinheiro, paguei, pus as duas garrafas dentro do saco que "alguém" segurava e, finalmente, olhei para a pessoa para agradecer... (!!!)
Não sei se minha expressão se refletiu nos olhos daquele rapaz, ou se a vermelhidão nas bochechas dele se espalhou no meu rosto, mas fui ágil:
- Eu sei que estas sacolas não eram para mim, mas mesmo assim obrigada por ter furado a fila.
Pegue as sacolas e fui embora.
Isso me fez lembrar duas outras situações que presenciei. Uma vez estava chegando à faculdade, e tinha um homem muito apressado dentro do ônibus querendo passar a frente de todos para saltar primeiro, pisando nos pés das pessoas mais próximas da porta. Eu não entendo essas pessoas, parece que entram em pânico, sei lá, vai ver elas pensam que a porta vai fechar quando elas tentarem sair. Enfim, quando a porta abriu, o cara levou um tombo a ponto de se ralar e ninguém ajudou, ou seja, o tempo fez ele voltar, mostrou que não adiantaria correr. Algo parecido foi quando eu saia do trabalho com meu pai (Speed Racer), mania de ir pelo acostamento, de costurar no engarrafamento. Nesse dia ele usou o acostamento e no pedaço crítico de acesso à Linha Amarela haviam cones interditando a passagem, ou seja ele gastou o dobro do tempo para sair de onde tinha se metido.
Moral da história: Não tente se dar bem quando você está compartilhando a mesma situação com outras pessoas, porque, de um jeito ou de outro, você vai acabar voltando para o mesmo lugar. Como diz o ditado: "Malandro morre na mão de malandro".

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O que muitos querem e poucos podem

Estava chegando na Praça XV, às dez da noite, nesse sábado quando vi a porta da Igreja de Nossa Senhora do Carmo iluminada, com um toldo na porta, adornado com pilastras e cortinas brancas. A curiosidade percorreu todo o meu cérebro e fez cócegas no meu estômago, então estacionei e fui lá conferir.
Antes de sair de casa achei que estava produzida demais para ir ao aniversário da minha prima no "Dito e Feito", mas quando cheguei na porta da igreja me senti uma favelada. TODOS os homens estavam de terno, não tinha um que estivesse apenas de calça e blusa social. As mulheres estavam deslumbrantes com vestidos bonitos, e mesmo os mais simples ultrapassavam o meu. Fiquei ali parada, absorvendo aquele glamour todo, enquanto todos me analisavam da cabeça aos pés...
Esperei os noivos saírem ao som do coral e serem recepcionados com a chuva de arroz, imaginando quantas bocas deixaram de comer para que este capricho fosse realizado. E é nesses momentos que você compreende a sutil diferença entre ricos e aqueles que não fazem parte da sociedade, nesse caso os pobres, mas foi uma felicidade só! Haviam três daminhas usando vestidos iguais com adornos e detalhes iguais. Não se viu uma carregando a bandeira do Brasil em homenagem à Copa do Mundo, ou então abraçando um bichinho de pelúcia, ao invés disso, as três levavam pequenos buquês de mini rosas cor-de-rosa. Os padrinhos vestiam ternos iguais com uma orquídea amarela na lapela do lado esquerdo e as madrinhas estavam todas com vestidos longos - Confesso que estranhei que não fossem iguais também.
A igreja esvaziou e eu entrei. Nunca havia estado ali antes e foi como voltar no tempo. O templo foi erguido em 1761 e as obras duraram 15 anos. Os detalhes no interior com talhas douradas é proveniente do rococó e foram produzidos em 1785. Impossível não imaginar a ostentação da Igreja Católica naquela época, principalmente depois de saber que o local é conhecido como a "Antiga Sé", pois foi Sede Episcopal da Diocese até 1976, época em que foi concluída a nova Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.
Pois bem, tinha flor para todos os lados, até o altar estava repleto de flores naturais, eram lírios, hortências, rosas e lisianthus, todas de mesma cor: branca. Fiquei paralisada por alguns instantes, admirando toda aquela beleza até ser sugada de volta para a realidade pelos organizadores que começaram a desmontar tudo, me enxotando de cima do tapete vermelho e desfazendo os arranjos.
- O que vocês vão fazer com essas flores?
- A maioria vai para o lixo.
- Posso pegar?
- Fica à vontade...
Foi o que fiz! Seria pecado deixar tanta flor bonita murchar. Até os rapazes do coral estavam colhendo flores para as esposas e mães. Saí da igreja com enorme buquê nas mãos, seduzida pelo perfume dos lírios.
Como se não bastasse... Voltando ao carro para deixar as flores, não pude crer no que meus olhos viam. A festa estava acontecendo no Paço Imperial, sim, dentro do Paço Imperial! Recepcionando os convidados havia um rapaz - de terno - tocando Violoncelo. Mais uma vez a curiosidade fez cócegas no meu estômago. Aproximei-me da janela lateral, me posicionando atrás de um coche do museu e reparei no pequeno espaço que me foi concedido observar: Os garçons serviam apenas as bebidas e recolhiam os talheres. No centro daquele salão tinha uma mesa aparentemente de frios, onde os convidados se serviam, no centro da mesa um arranjo gigante com lírios de todas as cores, é provável que outras flores estivessem dando corpo ao arranjo, mas os lírios eram o destaque. Na parede esquerda havia um arranjo de lírios amarelos enfeitando a mesa de caldos e pastas... Véus, velas, cristais, tudo que um sonho nos permite imaginar.
De repente, gelei em meio ao furor de alegria dos convidados. Fiquei imaginando quantas pessoa desejam um casamento assim e o máximo que podem é morar juntos, ou como no caso dos meus pais que só puderam ter a cerimonia e nada mais. Ali eu entendi porquê minha mãe sonha e faz tanta questão de fazer uma festa de casamento. Mas, também fui pessimista em calcular quanto tempo aquele casamento duraria... Será que serão capazes de se respeitar? Será que a ostentação subirá à cabeça? Será que o importante era a festa e não a união? Vamos torcer para que sejam felizes, para que saibam dividir momentos difíceis e adoráveis, que saibam ser honestos e respeitosos.

Passado o momento de reflexão, aqui fica a melhor frase da noite: "Só você para me fazer invadir o casamento dos outros e aida voltar cheio de flores para casa".

sexta-feira, 18 de junho de 2010

E agora, José?

Morreu, aos 87 anos, o escritor português José Saramago. Consagrado pela Academia Brasileira de Letras e com uma de suas obras representada no cinema por Fernando Meirelles: "Ensaio sobre a cegueira".


Saramago tinha o dom raro de observar e perceber a sociedade "cega" que construímos. Se me for concedida a honra de pensar, creio que na trama de "Ensaio sobre a cegueira", ele era a esposa do médico. Pois era o único que conseguia ver, e agindo como nós nos direcionava, através de suas obras, aos lugares onde queríamos chegar, e somente aqueles que sentiam paz e confiança em suas palavras, se deixavam guiar.

De todas as declarações que li, a de Meirelles foi a mais próxima da qual o próprio Saramago diria, se pudesse: "(...) definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje".

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Cidadão do trem

Vinha sentada, num cantinho, só obsrvando o que acontecia à minha volta. O trem parou na Central e um vendedor de balas entrou no vagão:
- Desculpe incomodar o silêncio da sua viagem, mas é que eu tenho aqui uma promoção que vocês, senhores passageiros, não encontram aí fora, não! Na minha mão, os senhores levam uma barrinha de chocolate batom por apenas Um Real. Nas lojas aí fora, os senhores não vão encontrar por menos de Dois Real cada uma"...
Depois do tão conhecido discurso, algumas pessoas levantaram a mão e o vendedor começou a realizar seu oficio. Já chegando no último cliente um cidadão chamou a atenção do vendedor:
- Ô, isso aqui tá ruim! Volta aqui!
- Senhor, isso está na validade.
- Mas, está ruim! Eu não vou comer isso, eu quero outro!
O vendedor, um tanto preocupado analizou o produto. Com uma expressão de decepção ele deu uma outra embalagem lacrada ao cidadão indignado com a falta de cuidado dele. O trem parou na estação seguinte e - pude sentir pena daquele rapaz, que muitas vezes acreditamos que só vende bala no trem porque não quis estudar... vai saber - o desanimo ainda percorria o rosto do vendedor quando ele ficou na plataforma.
Voltei minha atenção ao cidadão que reclamou a ignorância do "mendigo" e vi: Na hora em que ele ia morder a suculenta barra de chocolate, o pedaço caiu no chão. Ele, muito esperto, recolheu o pedaço. Olhou para um lado, olhou para o outro, soprou e... COMEU!
Como assim??? Depois de ter humilhado o vendedor, depois de ter reclamado do gosto do produto, o imbecil comeu um pedaço que caiu no chão!!! De que serviu a reclamação? Teria sido mais esperto humilhar o fabricante, que mandaria em três dias uma cesta de produtos para a casa dele!

Esse é apenas mais um bom exemplo de que é mais fácil humilhar os que consideramos menores do que enfrentar alguém que consideramos maior do que nós mesmos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Maré das Vertigens

Acreditava-se que ser gente grande era o máximo... Por quê?
Aos sete as meninas brincam de boneca, os meninos de policia e ladrão na casa da avó aos domingos, mas é comum pensar em "ter um carro igual ao do meu pai" ou "usar roupas bonitas iguais as da minha mãe".
Aos treze os hormônios eufóricos perturbam as aulas de biologia que falavam sobre o sistema reprodutor do ser humano, mas é comum ter recaídas e ainda brincar de bonecas (escondida, lógico) ou ter um volante de carro encontrado num ferro velho e dirigir pela casa toda. Mas, tem a vertigem de cantar as meninas nas matinês, de dar o primeiro beijo, ou um beijo memorável.
Aos quinze surge uma curiosidade vertiginosa sobre a primeira relação sexual e também a vertigem dos pais ficarem sabendo.
Aos dezesseis acredita-se que certos vícios como bebidas e fumo são sinônimos de maturidade, despertando uma vertigem de experimentá-los.
Aos dezessete as cobranças começam a ficar sérias, como que profissão escolher e para que universidade prestar vestibular.
Aos dezoito, na maioria das vezes, começam na faculdade. Alguns pensam "Mó legal!" Dois anos depois começa a fase de buscar estágio e, é lógico, que nunca é bom (salvos os nerds e indicados). Com isso, vem o primeiro salário e a vertigem de como gastar; O primeiro esporro e a vertigem da dúvida se a carta de demissão estará sobre a mesa no dia seguinte. Mais dois ou três anos depois vem a apresentação da monografia e lá está o professor mais mala do curso inteiro e na testa dele é possível ler: "Te acho burro" então lá vem a vertigem do ZERO.
Algum tempo depois uns são contratados e outros sofrem desemprego. Os contratados sentem a vertigem de perder o emprego e os desempregados sentem a vertigem de nunca conseguir um emprego na área que levou quatros anos ou mais estudando.
Alguns sentem a vertigem de arranjar um namorado(a), outros de casar. Tem a vertigem de, finalmente, comprar o primeiro carro, ou dar à luz o primeiro filho. A vertigem de comprar uma casa próxima à família ou bem longe. A vertigem de aceitar um emprego que pague menos, mas que é perfeito. A vertigem de aceitar cada fase da vida como ela é, mesmo que não seja boa e que as esperanças de melhorar sejam quase nulas...
Toda escolha vem acompanhada de vertigem, cabe a cada um desfrutar desse frio na barriga sem se deixar consumir pela insegurança e desistência, claro que sempre medindo as consequencias que cada escolha oferece.