quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Cidadão do trem

Vinha sentada, num cantinho, só obsrvando o que acontecia à minha volta. O trem parou na Central e um vendedor de balas entrou no vagão:
- Desculpe incomodar o silêncio da sua viagem, mas é que eu tenho aqui uma promoção que vocês, senhores passageiros, não encontram aí fora, não! Na minha mão, os senhores levam uma barrinha de chocolate batom por apenas Um Real. Nas lojas aí fora, os senhores não vão encontrar por menos de Dois Real cada uma"...
Depois do tão conhecido discurso, algumas pessoas levantaram a mão e o vendedor começou a realizar seu oficio. Já chegando no último cliente um cidadão chamou a atenção do vendedor:
- Ô, isso aqui tá ruim! Volta aqui!
- Senhor, isso está na validade.
- Mas, está ruim! Eu não vou comer isso, eu quero outro!
O vendedor, um tanto preocupado analizou o produto. Com uma expressão de decepção ele deu uma outra embalagem lacrada ao cidadão indignado com a falta de cuidado dele. O trem parou na estação seguinte e - pude sentir pena daquele rapaz, que muitas vezes acreditamos que só vende bala no trem porque não quis estudar... vai saber - o desanimo ainda percorria o rosto do vendedor quando ele ficou na plataforma.
Voltei minha atenção ao cidadão que reclamou a ignorância do "mendigo" e vi: Na hora em que ele ia morder a suculenta barra de chocolate, o pedaço caiu no chão. Ele, muito esperto, recolheu o pedaço. Olhou para um lado, olhou para o outro, soprou e... COMEU!
Como assim??? Depois de ter humilhado o vendedor, depois de ter reclamado do gosto do produto, o imbecil comeu um pedaço que caiu no chão!!! De que serviu a reclamação? Teria sido mais esperto humilhar o fabricante, que mandaria em três dias uma cesta de produtos para a casa dele!

Esse é apenas mais um bom exemplo de que é mais fácil humilhar os que consideramos menores do que enfrentar alguém que consideramos maior do que nós mesmos.

2 comentários:

  1. Esse cara foi um mau caráter, mas se olharmos para o vendedor, na verdade podemos ver que ele não foi o coitado, mas sim muito digno e isso é uma questão que muitas pessoas excluem na hora que se deparam com ambulantes nos transportes!

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