terça-feira, 29 de outubro de 2013

Meu irmão e o dente

Passear pelas ruas da cidade e observar as pessoas, assim como participar de gafes e situações inesperadas com desconhecidos ou conhecidos tem lá seu tom peculiar, mas viver isso em família é sempre mais divertido, talvez por causa da intimidade que nos possibilita a cumplicidade.
Pois bem, dia desses estava em meu quarto lendo, quando meu irmão entrou e se esparramou na cama me fazendo companhia, pensativo. Fechei o livro e olhei para ele esperando ele iniciar o assunto.
Ele: - Dú, lembra quando a gente se mudou para cá?
Eu: - Lembro.
Ele: - Nós fomos comemorar meu aniversário no Habib's.
Eu: - Dessa parte eu não lembro.
Ele: - Não lembra, não? Quando eu quebrei meu dente comendo uma esfirra?
Chocada, eu perguntei: - Como você quebrou um dente comendo esfirra?
Ele: - Tinha uma pedra na esfirra de carne.
Eu: - Caraca... Mas, o dente era de leite, né?
Ele: - Não.
Eu arregalei os olhos, espantada e perguntei: - O que aconteceu?
Ele: - O dente caiu.
Eu : - Você colocou implante?
Ele: - Não. 
Confusa, prossegui: - Tu é banguela até hoje?
Ele, começando a se irritar: - Dú, deixa de ser burra! O dente caiu e nasceu outro!
Eu, ofendida: - Jumento, se nasceu outro dente, o que quebrou e caiu era de leite!
Ele: - Claro que não!
Eu, atordoada: - Então você teve que fazer uma prótese, ou implante!
Ele, furioso: Deixa de ser ignorante! Nasceu outro! Olha aqui! (abriu a boca puxando o lado direito da bochecha com o dedo indicador para mostrar um molar).
Eu, rindo da burrice dele, completei: - Então, anta, se nasceu outro, o que quebrou e caiu era dente de leite!
Ele, indignado: - Claro que não! Ainda nem estava mole!
Não sei se ri pela inocência do meu irmão, ou da absurda ideia de ele acreditar, aos 20 anos, que o dente só é de leite quando está mole...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Pobrema tá na praca!

Ia caminhando, distraída, pela Voluntários da Pátria, quando percebi o cartaz exposto num ponto de ônibus: "AFROSMITH"
Pensei: - Nego não tem mais o que inventar! (E tratei de imaginar um grupo de Olodum tocando "I Don't Wanna Miss A Thing" em ritmo de axé)...
Então, olhei com mais cuidado e demorei a acreditar que o carinha no meio da foto era o Steven Tyler, porque devido a minha fértil imaginação ele era um baiano extravagante...
Mas, reconhece-lo me causou alívio e uma crise de riso. 
Quem foi o editor de imagem desse cartaz?! Gente, como é que ninguém reparou nisso antes de liberar a divulgação nas ruas? Que fique registrada a gafe dos publicitários!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Fundo do poço

Quando a vida vai bem, não nos lembramos que podemos cair. E tudo o que nos resta é o fundo do poço. Partindo do mesmo principio, quando caímos, nos resta apenas olhar para cima e bolar o caminho de volta. 

Pode ser que você precise de um tempo para saber o quão está machucado, e também para chorar toda a dor de se sentir impotente. Mas, depois de alguns dias, você começa a se sentar, aos poucos a se levantar, sem muita pressa (no modo popular: “curtindo a fossa”). Até que chega a hora de querer voltar a subir. 
Começa a tatear as paredes em busca de apoio, cego pela distancia da luz do topo. Vai aprendendo seu limite, muitas vezes vencendo eles e adquirindo confiança. Vai subindo, se arranhando, escorregando de volta para o início e recomeçando. Uma viagem de volta que não será tão rápida quanto à queda, mas sim para que sejas testado, arranhado, devassado, desestimulado.
Cada pedra que te machuca, cada cicatriz que a pele vai escrevendo na sua historia, cada grito de agonia, de medo, cada monstro que vamos matando pelos caminhos sinuosos e íngremes da volta. Tudo em seu lugar, como um labirinto com obstáculos para dificultar nossa disciplina e nos tornar persistente. 
Não sei dizer quanto tempo leva para voltar à superfície, cada qual tem seus próprios fantasmas, erros e coragem. Não é sempre que alguém te espera lá em cima e joga uma corda para facilitar sua jornada, mas deve-se agarrar a todas as oportunidades de sair e respirar, ser feliz.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A gente escuta o que quer

Tinha acabado de me formar e estava em busca de emprego, tentando me convencer de que seria feliz trancada num cubículo ganhando, com sorte, R$700,00 por mês, quando veio a notícia:
“Dú, um ex-vizinho nosso, Sergio, veio nos visitar esse fim de semana e a esposa dele, a Beth, tem uma filha que também estuda jornalismo e ela está trabalhando numa revista online, lá no Recife. Parece que o dono da empresa é francês. Aí, combinei de te apresentar a Beth para vocês conversarem, porque eu não faço ideia de como se diz ou escreve o nome da revista. Sei lá... ‘LÊAJAN’.” (arriscou um sotaque francês ao pronunciar).
“Ok, mãe, combine com ela e depois me avisa.”
Uma semana depois, tudo estava arranjado. Foi combinado um jantar informal às 20h. Pontualmente a campainha tocou e Beth entrou, carregada num sotaque pernambucano, corpo cheio e espalhada nas maneiras. Posto o assunto em dia, jantamos. Durante a sobremesa, Beth me abordou e trocamos informações. Ela me deu o nome da revista e aconselhou que eu entrasse no site para conhecer. Assim o fiz.
Passei a ler diariamente a revista, pois as chances de me mudar para Recife eram grandes. Uns dias depois, minha mãe sentou ao meu lado enquanto eu estava usando o computador e perguntou:
“Tá fazendo o quê, filha?”
“Lendo umas matérias da LEIAJA.”
“Ah, a revista que a filha da Beth trabalha?”
“Uhum”
“Como e que fala o nome?”
“Leia já”
“O quê?”
“Leia já.” (ela me olhou confusa como que espera entender francês, mas esta ouvindo português) “Mãe! LEIA – JÁ!” (e tive de usar as mãos para separar palavras invisíveis, como quem posiciona duas caixas em locais opostos)
“Uau! Era tão simples assim? E a Beth falando daquele jeito. Meus Deus!”
“Que jeito, mãe?”
“LÊAJAN!”
“Mãe, a Beth fala ‘LÊAJAN’ por causa do sotaque pernambucano.”
“Faz sentido”...

Depois disso comecei a observar sotaques, principalmente nas conversas com a Beth.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diário de uma professorinha.


Semana vai, semana vem, e a rotina dá voltas em suas piruetas crônicas. Aulas todos os dias, sem alunas novas, turma quase vazia e o tesão esquecendo de existir, seja das aulas ou dos fetiches. 
Então, numa mecânica terça-feira, redescobri a fome de querer aquele abdome esculpido sob minhas mãos, os bíceps largos e definidos entre meus dentes, os lábios exatos percorrendo meu pescoço até a orelha ávida por ouvir sacanagens. Foi o que senti quando aquela beldade surgiu na minha frente. 
*Idealizem a cena: Minha cara de quem está muito longe da realidade com um sorriso idiota no rosto... Foi a expressão que eu encontrei quando, num momento de sanidade, me vi no reflexo do espelho*.
Sabe o carinha de academia que você queria que fosse seu príncipe de 15 anos?... Pois é! Conversa daqui, admira de lá... 
"Filma a coreografia pra mim?" 
"Claro querido!" 
Peguei o celular do bonito e teclei na câmera - FOTOS. 
"Oba, vamos fuçar!"
... 
O_O!
Não... 
O_O!! 
O Senhor seja louvado! 
O_O!!!
Encontrei fotos sensuais no vestiário. Cena: Ele encostado no armário de frente para mim, com uma cuequinha  box branca, uma toalha caindo displicente pelo ombro direito até repousar naquele abdome definido e, como não podia faltar, aquele olhar de "to te seduzindo"... 
*Momento expressão de idiota II* 
Tentei me concentrar e filmei o que ele pediu... As atividades da escola acabaram e ficamos até fechar. Na porta: 
"Anota meu e-mail e me passa sua foto do vestiário." 
Ele riu e disse: 
"Passo ainda hoje!"

Sabe aquelas horas de ócio que você gasta no facebook como passa-tempo? Arranjei outra diversão... To pegando o novinho!