terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Fundo do poço

Quando a vida vai bem, não nos lembramos que podemos cair. E tudo o que nos resta é o fundo do poço. Partindo do mesmo principio, quando caímos, nos resta apenas olhar para cima e bolar o caminho de volta. 

Pode ser que você precise de um tempo para saber o quão está machucado, e também para chorar toda a dor de se sentir impotente. Mas, depois de alguns dias, você começa a se sentar, aos poucos a se levantar, sem muita pressa (no modo popular: “curtindo a fossa”). Até que chega a hora de querer voltar a subir. 
Começa a tatear as paredes em busca de apoio, cego pela distancia da luz do topo. Vai aprendendo seu limite, muitas vezes vencendo eles e adquirindo confiança. Vai subindo, se arranhando, escorregando de volta para o início e recomeçando. Uma viagem de volta que não será tão rápida quanto à queda, mas sim para que sejas testado, arranhado, devassado, desestimulado.
Cada pedra que te machuca, cada cicatriz que a pele vai escrevendo na sua historia, cada grito de agonia, de medo, cada monstro que vamos matando pelos caminhos sinuosos e íngremes da volta. Tudo em seu lugar, como um labirinto com obstáculos para dificultar nossa disciplina e nos tornar persistente. 
Não sei dizer quanto tempo leva para voltar à superfície, cada qual tem seus próprios fantasmas, erros e coragem. Não é sempre que alguém te espera lá em cima e joga uma corda para facilitar sua jornada, mas deve-se agarrar a todas as oportunidades de sair e respirar, ser feliz.

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