Estava chegando na Praça XV, às dez da noite, nesse sábado quando vi a porta da Igreja de Nossa Senhora do Carmo iluminada, com um toldo na porta, adornado com pilastras e cortinas brancas. A curiosidade percorreu todo o meu cérebro e fez cócegas no meu estômago, então estacionei e fui lá conferir. Antes de sair de casa achei que estava produzida demais para ir ao aniversário da minha prima no "Dito e Feito", mas quando cheguei na porta da igreja me senti uma favelada. TODOS os homens estavam de terno, não tinha um que estivesse apenas de calça e blusa social. As mulheres estavam deslumbrantes com vestidos bonitos, e mesmo os mais simples ultrapassavam o meu. Fiquei ali parada, absorvendo aquele glamour todo, enquanto todos me analisavam da cabeça aos pés...
Esperei os noivos saírem ao som do coral e serem recepcionados com a chuva de arroz, imaginando quantas bocas deixaram de comer para que este capricho fosse realizado. E é nesses momentos que você compreende a sutil diferença entre ricos e aqueles que não fazem parte da sociedade, nesse caso os pobres, mas foi uma felicidade só! Haviam três daminhas usando vestidos iguais com adornos e detalhes iguais. Não se viu uma carregando a bandeira do Brasil em homenagem à Copa do Mundo, ou então abraçando um bichinho de pelúcia, ao invés disso, as três levavam pequenos buquês de mini rosas cor-de-rosa. Os padrinhos vestiam ternos iguais com uma orquídea amarela na lapela do lado esquerdo e as madrinhas estavam todas com vestidos longos - Confesso que estranhei que não fossem iguais também.
A igreja esvaziou e eu entrei. Nunca havia estado ali antes e foi como voltar no tempo. O templo foi erguido em 1761 e as obras duraram 15 anos. Os detalhes no interior com talhas douradas é proveniente do rococó e foram produzidos em 1785. Impossível não imaginar a ostentação da Igreja Católica naquela época, principalmente depois de saber que o local é conhecido como a "Antiga Sé", pois foi Sede Episcopal da Diocese até 1976, época em que foi concluída a nova Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.
Pois bem, tinha flor para todos os lados, até o altar estava repleto de flores naturais, eram lírios, hortências, rosas e lisianthus, todas de mesma cor: branca. Fiquei paralisada por alguns instantes, admirando toda aquela beleza até ser sugada de volta para a realidade pelos organizadores que começaram a desmontar tudo, me enxotando de cima do tapete vermelho e desfazendo os arranjos.
- O que vocês vão fazer com essas flores?
- A maioria vai para o lixo.
- Posso pegar?
- Fica à vontade...
Foi o que fiz! Seria pecado deixar tanta flor bonita murchar. Até os rapazes do coral estavam colhendo flores para as esposas e mães. Saí da igreja com enorme buquê nas mãos, seduzida pelo perfume dos lírios.
Como se não bastasse... Voltando ao carro para deixar as flores, não pude crer no que meus olhos viam. A festa estava acontecendo no Paço Imperial, sim, dentro do Paço Imperial! Recepcionando os convidados havia um rapaz - de terno - tocando Violoncelo. Mais uma vez a curiosidade fez cócegas no meu estômago. Aproximei-me da janela lateral, me posicionando atrás de um coche do museu e reparei no pequeno espaço que me foi concedido observar: Os garçons serviam apenas as bebidas e recolhiam os talheres. No centro daquele salão tinha uma mesa aparentemente de frios, onde os convidados se serviam, no centro da mesa um arranjo gigante com lírios de todas as cores, é provável que outras flores estivessem dando corpo ao arranjo, mas os lírios eram o destaque. Na parede esquerda havia um arranjo de lírios amarelos enfeitando a mesa de caldos e pastas... Véus, velas, cristais, tudo que um sonho nos permite imaginar.
De repente, gelei em meio ao furor de alegria dos convidados. Fiquei imaginando quantas pessoa desejam um casamento assim e o máximo que podem é morar juntos, ou como no caso dos meus pais que só puderam ter a cerimonia e nada mais. Ali eu entendi porquê minha mãe sonha e faz tanta questão de fazer uma festa de casamento. Mas, também fui pessimista em calcular quanto tempo aquele casamento duraria... Será que serão capazes de se respeitar? Será que a ostentação subirá à cabeça? Será que o importante era a festa e não a união? Vamos torcer para que sejam felizes, para que saibam dividir momentos difíceis e adoráveis, que saibam ser honestos e respeitosos.
Passado o momento de reflexão, aqui fica a melhor frase da noite: "Só você para me fazer invadir o casamento dos outros e aida voltar cheio de flores para casa".
A igreja esvaziou e eu entrei. Nunca havia estado ali antes e foi como voltar no tempo. O templo foi erguido em 1761 e as obras duraram 15 anos. Os detalhes no interior com talhas douradas é proveniente do rococó e foram produzidos em 1785. Impossível não imaginar a ostentação da Igreja Católica naquela época, principalmente depois de saber que o local é conhecido como a "Antiga Sé", pois foi Sede Episcopal da Diocese até 1976, época em que foi concluída a nova Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.
Pois bem, tinha flor para todos os lados, até o altar estava repleto de flores naturais, eram lírios, hortências, rosas e lisianthus, todas de mesma cor: branca. Fiquei paralisada por alguns instantes, admirando toda aquela beleza até ser sugada de volta para a realidade pelos organizadores que começaram a desmontar tudo, me enxotando de cima do tapete vermelho e desfazendo os arranjos.
- O que vocês vão fazer com essas flores?
- A maioria vai para o lixo.
- Posso pegar?
- Fica à vontade...
Foi o que fiz! Seria pecado deixar tanta flor bonita murchar. Até os rapazes do coral estavam colhendo flores para as esposas e mães. Saí da igreja com enorme buquê nas mãos, seduzida pelo perfume dos lírios.
Como se não bastasse... Voltando ao carro para deixar as flores, não pude crer no que meus olhos viam. A festa estava acontecendo no Paço Imperial, sim, dentro do Paço Imperial! Recepcionando os convidados havia um rapaz - de terno - tocando Violoncelo. Mais uma vez a curiosidade fez cócegas no meu estômago. Aproximei-me da janela lateral, me posicionando atrás de um coche do museu e reparei no pequeno espaço que me foi concedido observar: Os garçons serviam apenas as bebidas e recolhiam os talheres. No centro daquele salão tinha uma mesa aparentemente de frios, onde os convidados se serviam, no centro da mesa um arranjo gigante com lírios de todas as cores, é provável que outras flores estivessem dando corpo ao arranjo, mas os lírios eram o destaque. Na parede esquerda havia um arranjo de lírios amarelos enfeitando a mesa de caldos e pastas... Véus, velas, cristais, tudo que um sonho nos permite imaginar.
De repente, gelei em meio ao furor de alegria dos convidados. Fiquei imaginando quantas pessoa desejam um casamento assim e o máximo que podem é morar juntos, ou como no caso dos meus pais que só puderam ter a cerimonia e nada mais. Ali eu entendi porquê minha mãe sonha e faz tanta questão de fazer uma festa de casamento. Mas, também fui pessimista em calcular quanto tempo aquele casamento duraria... Será que serão capazes de se respeitar? Será que a ostentação subirá à cabeça? Será que o importante era a festa e não a união? Vamos torcer para que sejam felizes, para que saibam dividir momentos difíceis e adoráveis, que saibam ser honestos e respeitosos.
Passado o momento de reflexão, aqui fica a melhor frase da noite: "Só você para me fazer invadir o casamento dos outros e aida voltar cheio de flores para casa".
Iei, Primeira a comentar!!!
ResponderExcluirManu, adorei o seu blog, mulé.
Pois é, às vezes eu também fico pensando
nessas disparidades. Alguns com tanto
e tanta gente com tão pouco. Hoje mesmo
saiu na Folha uma matéria dizendo que ricos
gastam DEZ vezes mais que os pobres. Dá para
acreditar?
Mas eu acho que ficar só olhando para os gastos
dos outros não adianta nada. Mais importante
que isso é ver no que nós mesmos somos privilegiados e não somente agradecer, mas
fazer algo de útil com esse conhecimento.
Beijos.
Opa!! Na hora do "Fiquei imaginando quantas pessoa desejam um casamento assim e o máximo que podem é morar juntos...", ÉNÓIS!!! Hehehe... o/\o
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