sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A gente escuta o que quer

Tinha acabado de me formar e estava em busca de emprego, tentando me convencer de que seria feliz trancada num cubículo ganhando, com sorte, R$700,00 por mês, quando veio a notícia:
“Dú, um ex-vizinho nosso, Sergio, veio nos visitar esse fim de semana e a esposa dele, a Beth, tem uma filha que também estuda jornalismo e ela está trabalhando numa revista online, lá no Recife. Parece que o dono da empresa é francês. Aí, combinei de te apresentar a Beth para vocês conversarem, porque eu não faço ideia de como se diz ou escreve o nome da revista. Sei lá... ‘LÊAJAN’.” (arriscou um sotaque francês ao pronunciar).
“Ok, mãe, combine com ela e depois me avisa.”
Uma semana depois, tudo estava arranjado. Foi combinado um jantar informal às 20h. Pontualmente a campainha tocou e Beth entrou, carregada num sotaque pernambucano, corpo cheio e espalhada nas maneiras. Posto o assunto em dia, jantamos. Durante a sobremesa, Beth me abordou e trocamos informações. Ela me deu o nome da revista e aconselhou que eu entrasse no site para conhecer. Assim o fiz.
Passei a ler diariamente a revista, pois as chances de me mudar para Recife eram grandes. Uns dias depois, minha mãe sentou ao meu lado enquanto eu estava usando o computador e perguntou:
“Tá fazendo o quê, filha?”
“Lendo umas matérias da LEIAJA.”
“Ah, a revista que a filha da Beth trabalha?”
“Uhum”
“Como e que fala o nome?”
“Leia já”
“O quê?”
“Leia já.” (ela me olhou confusa como que espera entender francês, mas esta ouvindo português) “Mãe! LEIA – JÁ!” (e tive de usar as mãos para separar palavras invisíveis, como quem posiciona duas caixas em locais opostos)
“Uau! Era tão simples assim? E a Beth falando daquele jeito. Meus Deus!”
“Que jeito, mãe?”
“LÊAJAN!”
“Mãe, a Beth fala ‘LÊAJAN’ por causa do sotaque pernambucano.”
“Faz sentido”...

Depois disso comecei a observar sotaques, principalmente nas conversas com a Beth.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diário de uma professorinha.


Semana vai, semana vem, e a rotina dá voltas em suas piruetas crônicas. Aulas todos os dias, sem alunas novas, turma quase vazia e o tesão esquecendo de existir, seja das aulas ou dos fetiches. 
Então, numa mecânica terça-feira, redescobri a fome de querer aquele abdome esculpido sob minhas mãos, os bíceps largos e definidos entre meus dentes, os lábios exatos percorrendo meu pescoço até a orelha ávida por ouvir sacanagens. Foi o que senti quando aquela beldade surgiu na minha frente. 
*Idealizem a cena: Minha cara de quem está muito longe da realidade com um sorriso idiota no rosto... Foi a expressão que eu encontrei quando, num momento de sanidade, me vi no reflexo do espelho*.
Sabe o carinha de academia que você queria que fosse seu príncipe de 15 anos?... Pois é! Conversa daqui, admira de lá... 
"Filma a coreografia pra mim?" 
"Claro querido!" 
Peguei o celular do bonito e teclei na câmera - FOTOS. 
"Oba, vamos fuçar!"
... 
O_O!
Não... 
O_O!! 
O Senhor seja louvado! 
O_O!!!
Encontrei fotos sensuais no vestiário. Cena: Ele encostado no armário de frente para mim, com uma cuequinha  box branca, uma toalha caindo displicente pelo ombro direito até repousar naquele abdome definido e, como não podia faltar, aquele olhar de "to te seduzindo"... 
*Momento expressão de idiota II* 
Tentei me concentrar e filmei o que ele pediu... As atividades da escola acabaram e ficamos até fechar. Na porta: 
"Anota meu e-mail e me passa sua foto do vestiário." 
Ele riu e disse: 
"Passo ainda hoje!"

Sabe aquelas horas de ócio que você gasta no facebook como passa-tempo? Arranjei outra diversão... To pegando o novinho!