O mais recente espetáculo de Déborah Colker é "Tatyana", uma incrível produção baseada na obra literária russa, Evguêni Oniéguin, de Aleksandr Púchkin (1799 - 1837). A apresentação foi divida em dois atos. No primeiro ato, os bailarinos apresentaram os cinco personagens da trama: Tatyana, Olga, Lanski, Oniéguin e Púnchkin com coreografias que variavam entre brincadeiras, paixão, ciúmes e morte. O segundo ato representa o passar do tempo e o amadurecimento de Tatyana que rejeita Oniéguin.
O primeiro ato foi entorno de um curioso objeto de cena, que me remeteu uma casa na árvore onde os personagem se balançavam, subiam em galhos e se escondiam. As pernas ou galhos, por assim dizer, da árvore, se moviam de acordo com a dinâmica da coreografia e mudavam de lugar de acordo com a personagem de Púchkin, que interagia com suas criações.
O segundo ato foi avassalador aos olhos do espectador que por muitas vezes se confundiu entre projeção e realidade. Com o uso de duas telas pretas translúcidas, a impressão que se tinha era de que os personagens dançavam dentro de uma caixa (caixa da memória) e com o auxílio de um retro-projetor, uma linha azul desenhava livremente sobre a tela, e ao fundo as Tatyanas pareciam multiplicadas digitalmente.
Dança sempre foi uma paixão, a expressão corporal me encanta intimamente. Na minha opinião apenas dois pontos devem ser criticados: o Primeiro é a falta de sincronismo entre os bailarinos, era comum vê-los fora do tempo em coreografias semelhantes, e imagino que a Cia tenha disponibilizado bastante tempo para os ensaios, então o sincronismo em determinadas coreografias me decepcionou por se tratar de um espetáculo de grande repercussão. O segundo ponto é a participação de Déborah. Eu entendo perfeitamente que é uma criação dela e que seja justo ela participar, mas sua participação em coreografias de grupo foram muito mais empolgantes do que os solos que executou sozinha, pois mediante à vitalidade dos bailarinos, ela cortou o clima explosivo ao se apresentar em solo com movimentos limitados e simples. valeu muito mais assistí-la interagir com a Cia.
Mas não há dúvidas de que a técnica e paixão das bailarinas de Déborah deram de 10 à 0 nas esnobes bailarinas do Municipal. Acho que em todos esses anos de festivais e ballets a R$1,00 no Theatro Municipal, nunca vi linhas e pés tão bem trabalhados. E, é claro, o bailarino que revezou o personagem Púchkin com Déborah Colker, Dielson Pessoa, mereceu ser aplaudido de pé!
Essa foi a primeira vez que tive a oportunidade de assistir um espetáculo da Cia Déborah Colker e posso dizer que até hoje não houve uma apresentação que me tirasse o sono como esta. Foi uma experiência sem igual.
Parabéns, Companhia de Dança Déborah Colker, foi um espetáculo inspirador!


