segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tatyana

O mais recente espetáculo de Déborah Colker é "Tatyana", uma incrível produção baseada na obra literária russa, Evguêni Oniéguin, de Aleksandr Púchkin (1799 - 1837). A apresentação foi divida em dois atos. No primeiro ato, os bailarinos apresentaram os cinco personagens da trama: Tatyana, Olga, Lanski, Oniéguin e Púnchkin com coreografias que variavam entre brincadeiras, paixão, ciúmes e morte. O segundo ato representa o passar do tempo e o amadurecimento de Tatyana que rejeita Oniéguin.
O primeiro ato foi entorno de um curioso objeto de cena, que me remeteu uma casa na árvore onde os personagem se balançavam, subiam em galhos e se escondiam. As pernas ou galhos, por assim dizer, da árvore, se moviam de acordo com a dinâmica da coreografia e mudavam de lugar de acordo com a personagem de Púchkin, que interagia com suas criações.
O segundo ato foi avassalador aos olhos do espectador que por muitas vezes se confundiu entre projeção e realidade. Com o uso de duas telas pretas translúcidas, a impressão que se tinha era de que os personagens dançavam dentro de uma caixa (caixa da memória) e com o auxílio de um retro-projetor, uma linha azul desenhava livremente sobre a tela, e ao fundo as Tatyanas pareciam multiplicadas digitalmente.
Dança sempre foi uma paixão, a expressão corporal me encanta intimamente. Na minha opinião apenas dois pontos devem ser criticados: o Primeiro é a falta de sincronismo entre os bailarinos, era comum vê-los fora do tempo em coreografias semelhantes, e imagino que a Cia tenha disponibilizado bastante tempo para os ensaios, então o sincronismo em determinadas coreografias me decepcionou por se tratar de um espetáculo de grande repercussão. O segundo ponto é a participação de Déborah. Eu entendo perfeitamente que é uma criação dela e que seja justo ela participar, mas sua participação em coreografias de grupo foram muito mais empolgantes do que os solos que executou sozinha, pois mediante à vitalidade dos bailarinos, ela cortou o clima explosivo ao se apresentar em solo com movimentos limitados e simples. valeu muito mais assistí-la interagir com a Cia.
Mas não há dúvidas de que a técnica e paixão das bailarinas de Déborah deram de 10 à 0 nas esnobes bailarinas do Municipal. Acho que em todos esses anos de festivais e ballets a R$1,00 no Theatro Municipal, nunca vi linhas e pés tão bem trabalhados. E, é claro, o bailarino que revezou o personagem Púchkin com Déborah Colker, Dielson Pessoa, mereceu ser aplaudido de pé!

Essa foi a primeira vez que tive a oportunidade de assistir um espetáculo da Cia Déborah Colker e posso dizer que até hoje não houve uma apresentação que me tirasse o sono como esta. Foi uma experiência sem igual.


Parabéns, Companhia de Dança Déborah Colker, foi um espetáculo inspirador!


terça-feira, 24 de maio de 2011

"Me vê um completo com bastante gentileza, por favor"

Quando a fome aperta o primeiro cheiro de comida nos dá água na boca. Estava voltando do médico e passei pelo Subway do Méier, quando senti aquele cheirinho do sanduíche de Frango Teriaki... Não pensei duas vezes, entrei na fila para comprar meu tão desejado banquete!
Tinha um casal apaixonado na minha frente que já havia feito o pedido da promoção do dia num pão de 30cm e estavam aguardando o pão sair do forno. Quando a garçonete que os atendia retirou o pão quentinho, ela começou a fazer as perguntas de praxe.

Garçonete: - Alface, cebola e tomate?

Rapaz: - Alface e cebola no sanduiche todo, tomate só na metade. (a garçonete pos o tomate no sanduiche todo). Moça, o tomate é só na metade do sanduíche...

Garçonete: - Por quê?

Rapaz: - Porque é metade para mim e a outra metade para minha noiva.

A garçonete retirou duas rodelas de tomate da metade do sanduíche e as jogou de volta dentro do pote, suspirando impaciente: - Porque você não falou logo que era metade para cada um?

Rapaz: - Porque já vim aqui outras vezes e a moça que me atendeu fez o sanduiche junto e depois cortou ao meio.

A garçonete pegou a faca e cortou o pão fazendo má-criação: Você podia ter falando logo!

Rapaz: - Se VOCÊ me perguntasse, eu teria respondido! É seu trabalho e não meu!

Ela poderia ter ido dormir sem essa, não é? Eu já trabalhei com vendas e é fundamental que o atendente seja cortês com o cliente, mesmo que este não esteja num bom dia ou que seja uma pessoa sem educação. O que não dá é ter que ser lembrado pelo cliente que ele ganha mais do que você e por isso você deve ser submisso...


segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Costureira

   Minha mãe me convidou para acompanhá-la até uma costureira próxima da nossa casa, pois ela queria fazer bainhas em algumas calças. Entramos no prédio comercial e nos deparamos com uma fila de espera... O porteiro estava pedindo a identidade de cada pessoa que entrava, depois ele anotava o número num bloco, ligava para a loja e perguntava se a pessoa estava autorizada a entrar.
Depois de alguns minutos de espera, tomamos o elevador até o 1° andar. Chegamos à porta da costureira e tocamos a campainha. A porta de madeira se abriu e do outro lado da porta de vidro surgiu uma mulher de 58 anos, com aparência de 47, que media, no máximo, 1,47m, com cabelo curto, louro com mecheas castanhas e olhar acinzentado de catarata escondido atrás de óculos retangulares rosa transparente. Ela abriu a porta e esticou a perna esquerda para a frente, pisando e disse:

- Não pisa!

Minha mãe e eu nos entre olhamos. As duas com cara de "não entendi".

- Não pisa aqui, tá quebrado.

   Tivemos que saltar sobre o azulejo indicado para entrar na oficina. Depois da pequena brincadeira da amarelinha, minha mãe disse a palavra fatal:

- Oi, amiga! (pronto, fudeu!) Eu vim aqui para você fazer bainha nessas minhas calças, eu sou baixinha e não gosto de dobrar.

- Ai, eu sei como é. Mas você é linda! Que cabelo lindo, esse rosto bonito... (não entendi nada)

- Ah, obrigada!

- Vamos lá para "a cozinha" porque eu estava trabalhando num outro pedido.

   Fomos para a segunda sala e elas começaram a confabular sobre como seria a bainha em cada peça. Não sei bem como aconteceu, só sei que de repente, elas estavam falando de tudo, menos das bainhas. Uma falava de filhos, outra falava de signos e eu feito um espectador de partida de tenis. O negócio começou a ficar sério quando o assunto foi "doença"...

Costureira: - Eu estou com suspeita de tuberculose, mas estou muito tranquila!

Minha mãe: - Minha filha já teve...

Costureira: - E como foi?

Eu: Fui no médico, ele diagnosticou, não acreditaram, passei por vários exames, confirmou o diagnóstico, tomei remédio durante 8 meses e me curei.

Minha mãe: - Credo, Dú, isso jeito de falar...

Costureira: - Qual é o seu nome? (nessa hora eu quis rir)

Minha mãe: - Eloá.

Costureira: - Nossa! Você sabe o que significa?

Minha mãe: - Sei... Do Hebraico: À Deus.

Costureira: - Tem certeza?

Minha mãe: - Tenho...

Costureira: - Você tem boa memória?

Minha mãe: - Sim... (Claro que não!)

Costureira: - Você sabe quanto pesa um cérebro humano? (nesse momento eu tive que fingir que me engasguei)

- Minha mãe: - Uns 5Kg (foi dá corda para maluco...)

- Costureira: - Não, pesa no máximo 1Kg e 400g. Mas o cérebro de um elefante pode chegar a 5 Kg. Eles tem uma memória tão fascinante, que eles lembram onde tem água no deserto (não seria instinto?). Sabe como eles sabem se estão perto da água? Eles escutam o barulho de outras manadas, eles ouvem o barulho do chão! Você sabe qual é o feminino de elefante?

Minha mãe: - Elefanta? (eu quis enfiar a cabeça dela na roda da máquina de costura!)

Eu: - Elefoa!

Costureira: - Eu acho que é Eloá! (...)

Eu: - Por quê?

Ela olhou nos meus olhos com uma expressão mista de empolgação e vazio e respondeu: - Não faço ideia!

Sério! Eu achei que também fosse começar a ver um coelho branco de terno e relógio, uma Rainha de Copas Louca e uma lagarta azul maconheira... Pois era fato de que eu estava frente-a-frente com o Chapeleiro Maluco!