Não quero mais a angústia
de uma dor insuportável.
Não quero mais o medo
de uma noite obscura rodeada por fantasmas.
Não quero mais o gosto amargo
de um uísque ardente que desce sufocando a garganta
afundando o vazio no estômago.
Preciso vomitar as palavras presas
Preciso ofender, gritar
Preciso sair antes que seja mais tarde.
Não quero ser prisioneira de tudo aquilo que não vejo
Tampouco ser marionete para fazer rir aquele que me devora.
Quero fechar essa janela
e deixar preso o bicho-papão que sob minha cama mora.
Não quero mais a ansiedade pela cura,
Quero gozá-la sem culpa.
Já não faço mais questão de seguir o mesmo caminho,
Quero, apenas, fechar esse buraco cheio de vazio.
Sem expectativas, sem planos para o futuro.
Quero encerrar esse passado
e me desfazer de todas as alianças, juras e amores desajuizados
que me prendem em tristeza a esse fardo.
Vou desapropriar-me dos monstros
Chaga de tentar entender.
Não vão mais roubar-me os sonhos
A minha escolha sempre foi viver.

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