sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

Semana passada, me apresentei em "O Jardim da Branca de Neve". Adivinha só qual era o meu personagem? A própria!!! Já estava fantasiada, derretendo dentro daquela roupa quente, enquanto eu e as crianças aguardávamos o espetáculo começar. Então uma coelhinha perguntou:

- Branca de Neve, cadê o seu Príncipe?

- Acabei de falar com ele!

- Cadê ele? (perguntou uma borboleta)

- Ele veio aqui, me deu um beijo apaixonado e voltou para o castelo porque está demorando muito para a apresentação começar.

- Qual é o nome dele? (perguntou uma formiga)

- O nome do meu Príncipe é Marcelo...

Nesse momento uma joaninha fez uma cara que misturava dúvida e ciúmes e perguntou:

- O meu pai???

É por isso que gosto de estar com elas. A sinceridade é crucial! Uma pena que quando elas crescem, essa inocência, essa honestidade de admitir o que gosta e o que não gosta, se perde... É gratificante ver nos olhos delas a fantasia se tornar realidade quando, mesmo sabendo quem eu realmente sou, elas se permitem desfrutar de um sonho de romances, belezas e esperança. Desde a época do vestibular eu já sabia que tinha que estar entre elas, mesmo que fosse dentista, pediatra, jornalista, atriz... Para 2011, desejo que a pureza no coração e o sonho nos olhos das crianças, possam refletir para o mundo inteiro a honestidade de assumir que a inveja existe, que o ciúmes nos tornam amargos e que a vaidade nos traz a fama superficial como uma doce ilusão que se esvai com o tempo.

(*) Gente, se pararmos para prestar atenção, às vezes, nós perdemos tempo com pessoas e coisas fúteis. Às vezes, ficamos até tarde no trabalho e não recebemos pela hora extra; Mas, o pior são as horas vagas em que não sabemos o que fazer e ficamos reclamando da vida... Eu costumava fazer adaptações de peças infantis, escrevia o texto, dirigia e atuava. Eram 3 meses de trabalho, em que eu sedia meu tempo para ir ensaiar, passava as tardes de domingo ensaiando e no dia da apresentação ganha R$ 200,00 por todo o trabalho realizado. Nesse ano fiz o mesmo trabalho, de graça, para alguém que realmente poderia ter pago por isso. Mas, eu fiz porque amo estar entre as crianças. Gosto das perguntas embaraçosas, gosto das risadas e dos carinhos sem interesse. Por tanto, em 2011, não vou me limitar aos lugares que podem alugar um teatro legal no shopping, nem aos amigos que me pedem favor, vou fazer algo de verdade! Vou realizar meus trabalhos artísticos em instituições carentes: orfanatos, hospitais, creches públicas. Sabe o por quê? Pelo simples fato de receber muito mais do que qualquer dinheiro pode pagar, estarei usando meu tempo para despertar sorrisos, e isso, é a deficiência mais séria no mundo, a falta de riso, a falta de caridade. Se antes eu trabalhava para quem podia me pagar bem e, em troca, eu recebia desdém, vou aproveitar as horas extras para receber toda a gratificação das crianças. Faça você o mesmo! Use o tempo "atoa" para fazer algo que valha realmente a pena. Feliz 2011 à todos!


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Cereja do Bolo

As últimas semanas do ano foram caóticas! Descobri que mentiram a meu respeito no trabalho, inventaram que zombei das diretoras e, por isso, não trabalho mais lá. Minha orientadora surtou e me humilhou na frente de outros alunos, me acusando de plágio sem, sequer, me mostrar minha monografia. Ela alegou estar cansada de ler meu trabalho, pois eu a fiz ler este 5 vezes... Descobri que a faculdade cobra uma taxa significativa para alunos que estão fazendo apenas a monografia. Nada além de R$ 885,00 (não pode parcelar em 6x, norma da instituição). Pode parecer frescura da minha parte, mas a pressão psicológica foi ao auge nesse último mês.

Mas, durante tantos momentos de desespero, pude contar com o apoio da minha família e de amigos. Pessoas incríveis que me fizeram ver que eu sou a cereja do bolo, que eu faço a diferença, a boa diferença, na vida de cada um deles e o quão capaz eu sou de ser uma ótima profissional e idealista. Prometo que contarei a história da "demissão" e do "surto da orientadora", mas, por hora, escrevo meus agradecimentos àqueles que me fizeram entender que não preciso mudar minhas qualidades, e sim que preciso fazer minha parte sendo ética e responsável, independente do que os incomodados vão dizer.

Aos leitores deste blog também deixo registrado meu agradecimento, apoio e comentários. Se não fosse vocês, este blog não teria passado de 1000 visitantes em tão pouco tempo! Obrigada!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tinta Fresca

Estava no ponto de ônibus, por volta das 18 horas, chovia e muitas poças d'água estavam se formando no recuo onde os ônibus encostam para pegar ou deixar os passageiros. Reparei numa mulata há uns 15m de distancia do ponto, sob uma marquise, conversando com mais duas mulheres. A chuva estiou e ela aproveitou a chance para ir ao ponto de ônibus. Reparei que ela usava uma sandália plataforma, tipo chinelo e andava um pouco torta. Cheguei a pensar que ela tivesse alguma deficiência, então parei de olhar, com receio que ela realmente fosse deficiente física e se incomodasse.

Ela passou por mim e sumiu do meu campo de visão, achei que tivesse ido embora. A chuva voltou a cair mais forte e os ônibus passavam rente ao ponto e inundavam a calçada - Motorista de ônibus é tudo uma cambada filhos da puta! É impressionante como eles sentem tesão em passar nas poças e molhar as pessoas em dia de chuva - Então resolvi dar um passo atrás para fugir do banho de água suja, nesse momento senti alguém me empurrar bruscamente pelas costas e ouvi:

-Ai! Você vai borrar minha unha que acabei de fazer!

Olhei para trás e reconheci a mulata. Ela estava parada atrás de mim e quando me virei ela já estava indo em direção ao ônibus. Desviei o olhar do rosto dela e mirei seus pés... Gosto é algo muito particular. Voltei a olhar para o rosto dela, sentia um vazio imenso em relação àquele pé feio pintado de marrom-alguma-coisa-desbotado, mas ela sustentava um ódio sincero em seus olhos...

Alguém pode me explicar? Porque até agora eu não entendi a reação dela... Será que eu devo andar na rua atenta se alguma mulher fez as unhas do pé? Será que ela pensou que eu ía pisar de propósito? Já que era tão importante, ela poderia ter ficado mais tempo no salão esperando o esmalte secar. Mas, se não quer esperar, ela pode andar com uma camisa dizendo: "CUIDADO, TINTA FRESCA!"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Memórias de uma estagiária

Eu fiz estágio de jornalismo na Fiocruz, há um ano. Ficava no setor de informática da Unidade de Administração do Campi Manguinhos. Era a única estagiária de jornalismo, mas tinham estagiários de informática e administração.

Certo dia, eu estava fazendo meus trabalhos de rotina, quando o estagiário de informática entrou na sala e perguntou:

- Como se escreve "patuí"?

Contestei: - Não seria, patuá?

Ele insistiu: - Não. Quero saber como se escreve "patuí".

Peguei o dicionário e comecei a procurar a palavra, mas nada consegui...

- Tem certeza que é assim que se diz, "patuí"? Como você colocaria esta palavra numa frase?

- Patuí lá!

Todos que estavam na sala começaram a rir. Eu fiquei horrorizada com o assassinato da língua portuguesa e respondi:

- "Patuí", se escreve: Para você ir...

Gente, não precisa saber quais são os verbos intransitivos, nem identificar os advérbios na hora de construir uma oração, mas, pelo amor de Deus, falem o português claro, limpo. Não precisa sair por aí declamando Shakespeare, mas também não tem necessidade de cometer a idiotice de não saber como se escreve uma frase, porque achou que tudo era uma palavra só!



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Inutilidade Privada

Hoje fui à faculdade entregar um relatório de estágio que vem me trazendo problemas há quase 2 anos... Tudo começou em junho 2009, quando, no início do ano letivo, me inscrevi na pratica profissional I. Peguei um relatório e levei para o estágio, meu supervisor preencheu, assinou e carimbou. Entreguei o relatório para a secretária da coordenação do curso esó. Ela não me deu nenhum papel para assinar, só disse "ok".

Quando o segundo semestre de 2009 começou, notei que faltava a nota desta disciplina em meu histórico. Voltei à coordenação e perguntei o que houve. A Secretária me disse:

- Tem certeza que você entregou? Você assinou a lista?

Eu: - Que lista? Você não me deu nada para assinar!

Ela: - Então eu não sei... Você vai ter que pegar outro e refazer.

Eu peguei 3 relatórios para preencher e eliminar pratica profissional I, II e III, já que pratica profissional I era referente ao segundo semestre de 2008 e os outros 2 a cada semestre de 2009. Levei os relatórios, entreguei ao meu supervisor que preencheu, assinou e carimbou os 3! Fiquei doente no fim do ano passado e não pude ir pessoalmente, então pedi para meus pais entregarem.
Foram entregues os 3, mas no sistema da faculdade só entraram 2 notas, pois eu não estava inscrita em pratica profissional I... Voltei na faculdade.

- Suelana, eu entreguei meus relatórios de estágio, mas ainda falta uma nota.

- Você assinou a pauta?

- Minha mãe assinou.

- Mas você estava inscrita?

Expliquei tudo para a mula que acha que é gente, inclusive que ela havia perdido meu primeiro relatório. Ela fuçou as pastas e encontrou o tal documento entre outros papeis incoerentes ao assunto.

- E agora?

-Ah, você vai ter que se inscrever em prática profissional I de novo e me entregar o relatório...

Assim o fiz. Novamente me inscrevi e hoje, depois de esperar mais seis meses, levei o relatório para ela me dar a nota...

- Você tem que me entregar o relatório.

- Está aqui.

- Não é esse.

- Como assim?

Ela pegou uma folha A4 com um modelo de relatório digitado que eu teria que confeccionar. E me olhou com ar de superioridade...

- O que é isso?

- Isso é o relatório que você tem que fazer.

- Suelana, você havia me dito que era para eu retornar e entregar somente este papel. Ninguém me disse que eu tinha que fazer um relatório escrito. Até porque quando eu entreguei os outros dois, isso não foi cobrado.

- Mas, eu não posso aceitar. Fala com o coordenador, cada caso é um caso.

- Suelana, eu não posso fazer hoje, eu relatório de um estágio que eu fiz há um ano!!! Você quer que eu minta?

-Eu não sei o que você vai fazer, mas tem que me entregar esse modelo.

A minha vontade foi de puxar ela pelos cabelos e dar com a cara dela na mesa até o óculos quebrar! Como não pegaria bem para mim, eu fui agressiva com palavras. TODA a parte administrativa dessa faculdade é um grande bosta! A Secretaria Geral não quis me dar uma licença, pois foi considerado que o período de quarentena era muito pouco para abrir um pedido; a Suelana fica de figuração atrás daquela mesa e nunca sabe das coisas; a rede de informática é cheia de vírus, pois numa universidade me que pagamos mais de R$800,00 por mês, eles usam antivírus grátis!!! Quase perdi minha monografia por causa disso... Isso é o que podemos chamar de Inutilidade Privada.