segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Arnaldo Três Reais

Centro da cidade, sexta-feira, 23 horas. Estacionamos em frente ao Hemorio, estavamos Marcelo e eu acompanhados Camila e Rodrigo indo à Gafieira Elite numa festa de uns amigos deles. Eis que de repente surge Arnaldo, um guardador da área. Bebado, falando alto, e cobrando três Reais.

- Fala, doutor! É três Reias!

Rodrigo respondeu: - Na volta eu te pago.

- O senhor não pode ficar aqui não, o carro não pode ficar assim não!

- Você quer que eu tire o carro?

- Isso é o senhor que está dizendo. O que eu quero é que o senhor ajeite o carro, coloca ele atravessado que aí cabe mais, entendeu?

Rodrigo voltou para o carro e o estacionou da maneira que Arnaldo pediu. Enquanto isso, um manobrista estacionou ao lado do carro e ficou com a porta do motorista a 15 centímetros da porta do carona do carro ao lado.

- Aí, manobrista, quebra essa? Refaz aí! Eu sou Arnaldo, sou conhecido aqui.

- Pede para o garoto acertar...

Rodrigo estava com metade do corpo para fora do carro quando voltou a sentar. Ele acertou o jogo com tanto esmero que me remeteu Da Vince pincelando a Monalisa. Quanta perfeição... O manobrista saiu do carro e foi embora. Arnaldo continuou a cobrar Rodrigo.

- Aí, chefe, libera três Reais aí!

- Não posso te pagar na volta não?

- Tu tá achando que vou embora? Tu vai na Elite? Pode chegar lá e perguntar quem é Arnaldo. Sou conhecido lá, de confiança.

Rodrigo pagou os três Reais e, então seguimos até a gafieira. Quando a festa já tinha dado o que tinha que dar, resolvemos voltar para casa. Ao atravesarmos a rua adivinha quem apareceu? O Arnaldo!

- "Num" falei que ia ficar aqui a noite toda! Tu ficou falando que eu ia embora. Embora nada, Rapá.

Marcelo: - Valeu, Ronaldo, você fez um bom trabalho.

- Ronaldo, não! Tá de sacanagem comigo?

Rodrigo: - Roberto?

- Pô, Doutor...

Eu: - Arnaldo?

- Ah ê!

Nesse momento aparece uma mulher descabelada aos berros.

- Quero ver tu me pagar, hein, Arnaldo!

- Vou te pagar, pô! Deixa eu pegar o dinheiro aqui!... Aí, Doutor, é VINTE Reais...

Todos nós: - O quê!!!

- Fiquei aqui a noite toda, é vinte Reais.

Camila: - Deixa a gente tirar o carro primeiro. Ajuda a gente a sair com o carro e a gente te paga.

Entramos no carro, trancamos as portas e, por fim, Rodrigo disse:

- Deixa o Arnaldo correr um pouquinho...

Marcelo ligou o carro e fomos embora.

Vagabundo é tudo igual ele te pede um dedo, você dá, aí nesse instante ele percebe que você teria condições de dar a mão, sabe-se lá como, em quatro horas ele se individa com as negas dele, se acha o esperto e te pede o braço inteiro... Qualquer dia o Centro da Cidade vai começar a oferecer curso de malandro. "Como se aproveitá do Criente"


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