André parou para abastecer o táxi num posto na esquina da Rua Paulo Silva Araújo com a Rua Adriano, por volta de 20:25hs. Um rapaz moreno e alto fez sinal logo depois que André entrou no carro. Se aproximou da janela e perguntou se ele o levaria para São Cristóvão. Com a confirmação, o rapaz entrou... Alguns metros à frente, quando se sentiu mais à vontade, o passageiro tirou a pistola da cintura e disse:- Tava doido pra sair daqui, Cara. Eu acabei de roubar uma moto, mas aquela merda disparou o alarme, Maluco. Aquela parada de car sistem. Fiquei nervosão, num sabia o que fazer, vazei de lá.
- Pô, eu estou levando você numa boa, você não vai me assaltar não, né?
- Fica na paz aí, Chefe, que eu não assalto trabalhador não. Mas, vô te mandá a real, se eu vê um carro de policia vô mandá bala pra todo lado, tá ligado?
- Pô, fica calmo, não faz isso não, ninguém vai desconfiar de você. Fica na boa.
André respirou fundo e tentou se manter calmo e sereno. Quando chegaram na Marechal Rondon, o assaltante reiniciou a conversa:
- Aí, tu tá com celular aí? Preciso fazê uma ligação, tu me empresta rapidinho?
André nada respondeu. Tirou o celular do bolso e passou para o passageiro.
- Fala aí, Doido! Como tá o movimento no morro? Vai dá pra entrá pela frente? Porra, Cara! Valeu então, vou entrar pelo outro lado!
Desligou a ligação e devolveu o aparelho para o taxista. Já estavam entrando no Morro da Mangueira quando o assaltante voltou a falar:
- Aí, meu filho tá com pobrema de saúde, tu tem 50 Reais aí? Comecei meu turno agora e, te falei, né, num consegui nada.
Encostou a pistola no braço do taxista como quem dá um tapinha no ombro do amigo e continuou.
- Mas, tu tem , né não? Eu sei que vocês ganha diária.
André deu o dinheiro.
- Pô, vô precisá do celular, Cara. Me empresta aí de novo.
André emprestou o celular novamente. Mais adiante, ele parou o táxi num ponto de ônibus para o passageiro descer do carro.
- Aí, tu liga pro teu celular, umas onze e meia, meia-noite que é pra nós combiná onde que eu te entrego de volta o celular e o dinheiro, valeu?
O assaltante saltou do carro e foi embora... De volta ao asfalto, André encontrou uma viatura da polícia e encostou. Contou toda a história para os policiais e eles responderam:
- Se eu fosse o senhor, eu subia o morro e falava para o dono que esse cara fez essa merda.
- Mas, eu estou te contando o que aconteceu. O senhor não pode me ajudar?
- Meu amigo, o que você quer que eu faça?! Lamento muito, mas eu não posso fazer nada por você...
Para não acabar a noite pior do que começou, André voltou para o táxi e foi embora.
Espera aí! Vocês entenderam o mesmo que eu? O assaltante pegou emprestado e garantiu que devolveria o celular e o dinheiro. Já os policiais (que são pagos para prender bandido) não puderam ajudar...
Acho que eu entendi! Como foi um empréstimo, não tinha mesmo o porquê dos policiais se meterem... É, faz sentido. Afinal, foi um acordo entre conhecidos, hoje em dia se faz amizade muito fácil e muito rápido. Vai ver o André até trocou msn e Orkut com o cara, se é que o assaltante não tem twetter!
Gente, pelo amor a si próprio, isso está na hora de acabar! O que você vai fazer por você, por sua família, cidade e país? A eleiçoes estão chegando...



