segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Maré das Vertigens

Acreditava-se que ser gente grande era o máximo... Por quê?
Aos sete as meninas brincam de boneca, os meninos de policia e ladrão na casa da avó aos domingos, mas é comum pensar em "ter um carro igual ao do meu pai" ou "usar roupas bonitas iguais as da minha mãe".
Aos treze os hormônios eufóricos perturbam as aulas de biologia que falavam sobre o sistema reprodutor do ser humano, mas é comum ter recaídas e ainda brincar de bonecas (escondida, lógico) ou ter um volante de carro encontrado num ferro velho e dirigir pela casa toda. Mas, tem a vertigem de cantar as meninas nas matinês, de dar o primeiro beijo, ou um beijo memorável.
Aos quinze surge uma curiosidade vertiginosa sobre a primeira relação sexual e também a vertigem dos pais ficarem sabendo.
Aos dezesseis acredita-se que certos vícios como bebidas e fumo são sinônimos de maturidade, despertando uma vertigem de experimentá-los.
Aos dezessete as cobranças começam a ficar sérias, como que profissão escolher e para que universidade prestar vestibular.
Aos dezoito, na maioria das vezes, começam na faculdade. Alguns pensam "Mó legal!" Dois anos depois começa a fase de buscar estágio e, é lógico, que nunca é bom (salvos os nerds e indicados). Com isso, vem o primeiro salário e a vertigem de como gastar; O primeiro esporro e a vertigem da dúvida se a carta de demissão estará sobre a mesa no dia seguinte. Mais dois ou três anos depois vem a apresentação da monografia e lá está o professor mais mala do curso inteiro e na testa dele é possível ler: "Te acho burro" então lá vem a vertigem do ZERO.
Algum tempo depois uns são contratados e outros sofrem desemprego. Os contratados sentem a vertigem de perder o emprego e os desempregados sentem a vertigem de nunca conseguir um emprego na área que levou quatros anos ou mais estudando.
Alguns sentem a vertigem de arranjar um namorado(a), outros de casar. Tem a vertigem de, finalmente, comprar o primeiro carro, ou dar à luz o primeiro filho. A vertigem de comprar uma casa próxima à família ou bem longe. A vertigem de aceitar um emprego que pague menos, mas que é perfeito. A vertigem de aceitar cada fase da vida como ela é, mesmo que não seja boa e que as esperanças de melhorar sejam quase nulas...
Toda escolha vem acompanhada de vertigem, cabe a cada um desfrutar desse frio na barriga sem se deixar consumir pela insegurança e desistência, claro que sempre medindo as consequencias que cada escolha oferece.

2 comentários:

  1. Manu!!!

    Que texto foi esse, dava um mini teatro da vida de cada um de nós, eu simplesmente adorei principalmente na parte do emprego, às vezes se ganha menos, mas é o trabalho ideal naquele momento!!!
    Olha SENSACIONAL!!!

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  2. Muito boa, sua visão de comunidade humana...rs, se é q me intende...relata exatamente as (des)vantagens de ser mortal...rs

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