O monólogo escrito pelo inglês Willy Russel, foi interpretado em Londres há 25 anos, e devido ao grande sucesso foi traduzido para várias línguas pelo mundo todo, inclusive chegou a virar uma nova versão para um filme, em 1989, recebendo duas indicações ao Oscar. Chegando ao Brasil, Shirley Valentine foi dirigido e adaptado por Guilherme Leme e interpretado por Betty Faria e está em cartaz desde 2009.
Eu assisti o monólogo ainda este ano, quando estava em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. O texto realmente é envolvente e, com muita facilidade, o espectador se identifica com alguns momentos, podendo envolver-se com o texto inteiro, e isso independe da idade e do gênero do espectador. Mas... na minha opinião, Betty Faria só tem nome, porque não consegui ver coerência alguma entre a atriz e a personagem. Admiro que a atriz tenha decorado um texto tão extenso, mas, francamente, ela parecia uma versão feminina e mais velha do próprio diretor. O jeito com que ela interpretava certas passagens, era o Guilherme Leme no palco. E por mais que a atriz tenha sua má fama, não consegui captar nenhuma ponta de naturalidade quando ela dizia "descobri o clitóris". Soou extremamente falso, considerando-se que a personagem estava feliz por tê-lo (re)descoberto. Além da falta de naturalidade ao interpretar, a dicção da atriz é irritante quando ela troca o som da letra "m" pela letra "b"...
No mais, os objetos de cena, vestuários e iluminação estão de parabéns. Interessantíssimo a cena em que Shirley está na Grécia vendo o pôr-do-sol, bebendo sua taça de vinho. Uma excelente produção que merecia um desemprenho melhor de sua protagonista.
Para mim poderia ter sido melhor, mas vale a pena assistir. Quem quiser conferir, a peça está em cartaz no Teatro Abel, em Niterói.

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