sábado, 27 de novembro de 2010

Coletivismo

O Rio de Janeiro vive um caos desde quarta-feira, mas as coisas se agravaram na quinta-feira, quando a polícia resolveu tomar o morro do Alemão. Muitos acompanharam a operação pelos noticiários que fizeram plantão. Muitas pessoas consideraram que o momento que vivemos é "palhaçada", é "sensacionalismo" e resolveram passear no Norteshopping para aproveitarem o "Ponto Mix".
O shopping estava todo enfeitado com bolas, os vendedores estavam simpáticos como sempre, muitas pessoas estavam adiantando suas compras de natal - tanto os presentes, quanto o menu para a ceia - Estavam todos felizes e se sentindo super-protegidos...
De repente, vários disparos: POW! POW!POW!
Muitos correram em direção ao Supermercado dentro do shopping. Numa esteria infernal! E alguém gritou:
- Deita no chão!!!
Nem deu tempo de escolher um lugar estratégico para deitar. Muitas pessoas se jogaram sobre as outras... Algumas mulheres choravam e os homens xingavam "Caralho, que porra é essa!"
Então o alto falante toca: "tan-tan" Prezados clientes, informamos que o motivo do pânico foi devido aos balões que estão enfeitando o shopping para a promoção "Ponto Mix". Desculpem o transtorno.
Um silêncio imenso se propagou por dois segundos... Muitos riram, outros xingaram, outros respiraram aliviados, alguns fizeram comentários sobre o ocorrido, mas não pude evitar de imaginar meu pai lá. Certamente ele diria:
- Agora que estou todo borrado é que vocês falam!

Uma péssima mania do Carioca é pagar para ver. É bem verdade que muitos boatos surgem para impressionar, mas a cidade estava, literalmente, pegando fogo e, mesmo assim, os valentões foram para o shopping para provar que não vai acontecer nada. De fato não aconteceu algo ruim, poderia ter sido tiro de verdade. Mas, uma coisa eu garanto, até na hora de pagar mico o Carioca é acolhedor... Que fique registrado o mico coletivo do ano!!!


Essa história aconteceu com a Gabriela Fontinelli. Quer ter uma história sua publicada aqui? Envie para o e-mail do "Participe"! Mas, vale lembrar que a história tem que ser verdadeira.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando lhe cortam as asas

O que foi isso?
Vocês viram?
Acabou de se apagar
A luzinha de esperança que restava no meu coração...
Como é amargo o sabor da traição.
Como dói a senssação de vazio da desilusão.

Eu sonhava em ser um passarinho
Voar na minha imaginação
Sentia a brisa de cada inspiração
E me deixava abraçar pelos risos das crianças, tal qual um ninho.
Ah, como é pesado ficar sozinho!
Estou tão tristinho
Sem amigos, sem luz e sem ninho...

Nesta manhã, a luz da alvorada não chegou para aquecer
E tudo que fica do outro lado da gaiola
Parece não se importar
Ou pior, nem me ver.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cadê?

Estava saindo do Norteshopping nesta segunda-feira, indo pagar o estacionamento quando percebi um rapaz bem vestido alterar a voz com a atendente do guichê. O monstrinho da curiosidade aguçou meus olhos e ouvidos...

- Tem que pagar o quê?!

- O senhor terá de pagar uma multa de R$20,00 pela perda do ticket.

- Você é que tem que liberar minha saída!

- Não, senhor, em caso de perda o dono do veículo paga uma multa.

- Libera minha saída agora!

- O senhor tem que pagar R$20,00...

- Não vou pagar porra nenhuma! Libera essa merda agora! (ele bateu no balcão)

- Não vou liberar. ( ela fechou o caixa)

As duas acompanhantes do rapaz ficaram atonitas com a reação extremamente agressiva dele.

- Nossa, Ricardo, você está muito alterado. Nem deu para ouvir a menina explicar...

- Isso é uma palhaçada! Vou ligar pro meu amigo PM.

Nesse momento, li o verso do meu ticket de estacionamento e lá estava: "Em caso de perda, o cliente deverá pagar multa". Alguns minutos depois, um senhor chegou, não sei dizer se era um fiscal ou um segurança, pois ele falava baixo e distante da fila, o rapaz desligou o celular. Mas o motorista continuava alterado, entre uma fala baixa e outra entre as meninas e o "fiscal", ouvia-se:

- Isso é uma palhaçada! Não pago essa merda!

O "fiscal" perdeu a paciência e disse, sem gritar, mas alto o suficiente para ouvir de onde eu estava:

- Então seu carro permanecerá no estacionamento. O senhor vai para casa de ônibus ou de taxi, hoje.

Conversaram mais um pouco e, por fim, o figura aceitou em pagar...

Por quê fez o show? Porquê pensou que como a atendente era mulher ele conseguiria inibí-la ou amedrontá-la? A melhor parte, foi pegar o celular e ligar para o amigo PM... Que ridículo! Então quer dizer que o "amigo" ia aparecer numa viatura lá no estacionamento do Norteshopping e botar uma arma na cabeça da atendente para que ela liberasse a saída dele, porque caso ela não o fizesse ela ía presa... Engraçado... Acho que não tinha essa cena em "Tropa de Elite 2". Foi só aparecer um homem, que o escandaloso, desligou o celular e, mesmo que resistindo, pagou... Artista burro! Pagou para fazer o show... Rá!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Fantoche de Fetiche

Ora, vejam só!
Que riso é esse que se faz emoldurar no espelho
Se ninguém ouviu uma história engraçada?
Recordo-me vagamente de sonhar com contos de fadas...
Mas que ironia
Na tolice da ingenuidade sonhava em ser gente de noite
E acabei por despertar boneca de dia...
Mas se fosse capaz de viver essa fantasia
O que ela seria?
Sonho ou fetiche...
Talvez uma breve ilusão da minha meninice.
Ah, que crueldade sonhar com felicidade
Nesse mundo de fantoches!
Crueldade acreditar em seguir os próprios sonhos.
Pior ainda não poder sonhá-los,
Pois que sempre há alguém a nos mover
Com falas decoradas e historinhas que se repetem.
E se o fantoche do fetiche fantasiasse os sonhos lúdicos de um boneco de madeira?
Quão grande seria a mentira???
Talvez nem mentira fosse...
Mas quem acreditaria?
Somente o boneco que ficaria conhecido como "cara-de-pau"
E numa ciranda da vida
Chegaria o momento que nem  para as crianças o boneco serviria.
Seria, então, um abandonado utensílio de madeira condenado pela preservação ambiental.
Até que passar umas férias na barriga de uma baleia
Começa a ser um plano nada mau...
Minha consciência sempre faz uso da razão
Mas meu endurecido coração
Já não aguenta mais tanta solidão.
Com quem partilhar meus sonhos de ser de verdade?
Minha fada madrinha anda ocupada em responder muitos e-mails
E me me deixou aqui cheia de grilos na cabeça.
Não quero mais falar o que querem que eu diga
Tampouco fazer o que querem que eu faça.
Não quero mais ser manipulada
Sequer que riam de mim quando fizer algo a mando de outros.
Quero ser de verdade!
Sentir o vento
Fazer amigos
Sentir o gosto da água
Não temer os cupins
Amar...
Ah, amar seria bom!
Sentir um tambor desesperado dentro do peito e borboletas no estômago...
Quero ser de verdade!
E nunca mais mentir
Nem mesmo alegar que sou o que querem que eu seja.
Quero ser eu de verdade
Até porque, quando eu for de verdade,
A mentira não ficará mais estampada  na minha cara
Pois toda verdade contraria a mentira...