quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Te amo" não é "Bom dia"

É bem verdade que as pessoas se acomodam em dizer "Te amo" com o passar do tempo, mas também é verdade que isso independe da quantidade de vezes que foi dito. É algo mais interno, mais profundo que define exatamente o que estamos sentindo. Cabe a cada um observar se, toda vez que diz "te amo", está sendo sincero consigo mesmo, se o sentimento cresceu ou diminuiu. Concordo que um não pode substituir o outro. Dizer que ama querendo dizer "bom dia" não engana ninguém, talvez temporariamente...


A questão não é ouvir por ouvir, nem falar por falar, a questão é deixar o outro saber o que você sente. Mas, se o "amor" que você sente pelo outro se tornou "bom dia", talvez esteja na hora de reconquistar ou, simplesmente, ir embora. Você já se perguntou por quê o outro diz frequentemente que te ama? Ou você simplesmente concluiu que para ele (a) já virou rotina? E se ele (a) diz que te ama na esperança de ouvir o mesmo de você? Eu sei que, talvez, seja difícil assumir que ama alguém, cada um tem seus próprios princípios. Mas, e se o outro parasse de dizer com tanta frequência, ou resolvesse que é melhor não falar mais? Você sentiria falta, não é?

Elogios também não substituem declarações. Você pode achar alguém bonito, e nem por isso nutrir bons sentimentos, quiçá ama-lo. Trata-lo (a) por um apelido íntimo e carinhoso, não é o mesmo que dizer "Te amo", é reconhecer na pessoa o sentimento, mas não é expor para ele (a) como isso arde dentro de você. Não é preciso apenas dizer "Eu Te Amo", diga como sente esse amor dentro de você, como isso te conforta e te deixa em paz. Mas, faça sem esperar que o outro te pergunte.
Não precisa repetir o tempo todo, nem ficar de joelhos. Fale como um segredo, bem baixinho ao pé-do-ouvido. Fale sempre que sentir vontade, mesmo que ontem você já tenha dito. Eu concordo que "te amo" não pode ser "bom dia", mas não ouvir "Bom dia! Sabia que eu te amo" todos os dias traz insegurança e as vezes é até comum se sentir esquecido...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tudo é uma questão de Educação

Meu pai é um sujeito extremamente popular, embora não seja famoso. E já virou uma situação comum estarmos no shopping, no mercado ou atravessando a rua quando uma pessoa o aborda com saudações e dizem estar feliz em revê-lo.
Meus pais foram ao Alto da Boa Vista neste sábado. Enquanto subiam, um senhor passou de carro e os olhou (mas era só um motorista)... Resolveram almoçar quando, de repente, o cara do carro os abordou acompanhado de sua esposa:

-Rapaz, quanto tempo! Você tá sumido! Como vai?

Meu pai: - Vou bem! E Você?

- Poxa, que legal te reencontrar. Querida, esse é aquele sujeito que te falei, que trabalhou lá comigo. E essa é a esposa dele. Como vai?

Minha mãe: - Vou bem também. Essa é a sua esposa?

- É! Que legal te ver por aqui. Faz muito tempo.

Meu pai: - Pois é, Bicho, acontece.

- Poxa, adorei rever vocês! Bom almoço aí! Tchau.

O casal deu meia-volta e foi embora.

Minha mãe: - Waldney, quem é esse cara?

- Eu sei lá!

Há uns seis ou sete anos atrás, estávamos meus pais, irmão e eu na Lagoa, curtindo um fim de semana de sol, quando um policial se aproximou e abraçou meu pai:

- Pô, cara, como você tá? Tu anda sumido...

Meu pai: - Ih, sumido tá você!

- Hahaha! Sempre brincalhão. Sua esposa? Seus filhos?

- É...

- Tudo bem? (cumprimentou todos nós) Pô, maneiro te ver. Vou nessa, agora. Valeu, hein!

- Vê se não some mais, hein, malandro!

Minha mãe: - De onde tu conhece esse cara, Waldney?

- Eu sei lá!

Essas histórias são as que mais me motivam a saudar alguém no elevador. Um sorridente "Bom dia" pode mudar o humor de alguém que esteja deprimido, ou sonolento. Já perceberam como o riso é contagioso? Não custa nada cumprimentar as pessoas que farão parte do seu dia-a-dia, ou aquelas que veem em você um amigo que há muito não encontra. É tudo uma questão de educação.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Arnaldo Três Reais

Centro da cidade, sexta-feira, 23 horas. Estacionamos em frente ao Hemorio, estavamos Marcelo e eu acompanhados Camila e Rodrigo indo à Gafieira Elite numa festa de uns amigos deles. Eis que de repente surge Arnaldo, um guardador da área. Bebado, falando alto, e cobrando três Reais.

- Fala, doutor! É três Reias!

Rodrigo respondeu: - Na volta eu te pago.

- O senhor não pode ficar aqui não, o carro não pode ficar assim não!

- Você quer que eu tire o carro?

- Isso é o senhor que está dizendo. O que eu quero é que o senhor ajeite o carro, coloca ele atravessado que aí cabe mais, entendeu?

Rodrigo voltou para o carro e o estacionou da maneira que Arnaldo pediu. Enquanto isso, um manobrista estacionou ao lado do carro e ficou com a porta do motorista a 15 centímetros da porta do carona do carro ao lado.

- Aí, manobrista, quebra essa? Refaz aí! Eu sou Arnaldo, sou conhecido aqui.

- Pede para o garoto acertar...

Rodrigo estava com metade do corpo para fora do carro quando voltou a sentar. Ele acertou o jogo com tanto esmero que me remeteu Da Vince pincelando a Monalisa. Quanta perfeição... O manobrista saiu do carro e foi embora. Arnaldo continuou a cobrar Rodrigo.

- Aí, chefe, libera três Reais aí!

- Não posso te pagar na volta não?

- Tu tá achando que vou embora? Tu vai na Elite? Pode chegar lá e perguntar quem é Arnaldo. Sou conhecido lá, de confiança.

Rodrigo pagou os três Reais e, então seguimos até a gafieira. Quando a festa já tinha dado o que tinha que dar, resolvemos voltar para casa. Ao atravesarmos a rua adivinha quem apareceu? O Arnaldo!

- "Num" falei que ia ficar aqui a noite toda! Tu ficou falando que eu ia embora. Embora nada, Rapá.

Marcelo: - Valeu, Ronaldo, você fez um bom trabalho.

- Ronaldo, não! Tá de sacanagem comigo?

Rodrigo: - Roberto?

- Pô, Doutor...

Eu: - Arnaldo?

- Ah ê!

Nesse momento aparece uma mulher descabelada aos berros.

- Quero ver tu me pagar, hein, Arnaldo!

- Vou te pagar, pô! Deixa eu pegar o dinheiro aqui!... Aí, Doutor, é VINTE Reais...

Todos nós: - O quê!!!

- Fiquei aqui a noite toda, é vinte Reais.

Camila: - Deixa a gente tirar o carro primeiro. Ajuda a gente a sair com o carro e a gente te paga.

Entramos no carro, trancamos as portas e, por fim, Rodrigo disse:

- Deixa o Arnaldo correr um pouquinho...

Marcelo ligou o carro e fomos embora.

Vagabundo é tudo igual ele te pede um dedo, você dá, aí nesse instante ele percebe que você teria condições de dar a mão, sabe-se lá como, em quatro horas ele se individa com as negas dele, se acha o esperto e te pede o braço inteiro... Qualquer dia o Centro da Cidade vai começar a oferecer curso de malandro. "Como se aproveitá do Criente"


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Paisagem da janela

O vento entra pelas frestas da janela
Soa como um uivo longo e doloroso,
E quando se mistura com os sons que vem lá de fora
Parece gritos de desespero.
"Mas, é só o vento" (tento me convencer).
A janela emoldura a cena:
Enquanto o céu permanece azul e sereno,
As árvores se debatem e se dobram tentando não quebrar.
E o céu observa, mas não parece se importar.
Então percebi quem gritava...
Numa aula de ciências a professora falou
Que as árvores crescem na direção do sol...
Agora entendi porquê levam alguns anos.
É difícil crescer intacto
Quando o vento açoita com força
E arranca as folhas tão queridas, tão significativas.
Mesmo assim é interessante
Porque elas sempre, de alguma forma
Tentam se manter o mais próximo possivel do céu.