sexta-feira, 19 de junho de 2015

Poeira de mim


Em meio à hipocrisia diária, cada grão de mim se esvai
Numa loucura comumente disfarçada de riso
Tentando relevar as agressões dentro d’alma
Que fere feito agulha fina em carne dura.

No todo que o tempo me esculpiu de conceitos
E pré-conceitos
Do todo que sou
restou só poeira
do aquilo que um dia achei que fora integridade
Agora é só resto
Só um pouco
Sem valor, sem utilidade.

Mas, existe um Eu aqui
Mesmo gasta, mesmo escassa
Cada grão me (re)constitui
Numa (nova) abstração de todo o pó que restou.
Nua, como toda escultura
Depredada, como todo símbolo de revolução.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Meu Sapato


Pego-me a passear nas profundezas do meu coração aventurado
tolo, que insiste em voltar para casa amedrontado...
Infeliz, à espera da aprovação
por tudo o que faço
sem pedir e sem dar.

No fim, aceito e sigo
sem muita esperança de conquistar.

É quando pego-me desbravando meus devaneios
tontos, na perfeição de seus círculos imperfeitos...
Vou colorindo meu riso desbotado
de exaustão dos dias em que pelejei
sem perder e sem vencer.

No fim, me calo e continuo
sem desamarrar os sapatos sujos.